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Polícia investiga contrato de Wi-Fi em SP ligado a produtora de filme

A Polícia Civil de São Paulo realiza operação para apurar suspeitas de desvios em contrato de R$ 108 milhões para instalação de Wi-Fi gratuito na capital. O acordo envolveu Karina Ferreira da Gama, sócia de produtora responsável por documentário sobre Bolsonaro. Investigadores identificam possíveis fraudes licitatórias e superfaturamento do serviço.

Redação Agora Pronto News(08/06/2026)
Polícia investiga contrato de Wi-Fi em SP ligado a produtora de filme

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Civil em São Paulo nesta segunda-feira (1º) contra Karina Ferreira da Gama, administradora da empresa Go Up Entertainment Ltda. A investigação busca evidências de possíveis irregularidades em um contrato bilionário envolvendo o fornecimento de conectividade gratuita na cidade.

O contrato questionado, no valor de R$ 108 milhões, foi celebrado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade administrada por Karina. Os investigadores suspeitam de desvios de recursos, autofaturamento e emissão de notas fiscais irregulares. Nenhuma prisão foi efetuada até o momento.

Os policiais trabalham com suspeitas de crimes que incluem frustração do caráter competitivo em licitação, fraude na execução de contrato administrativo e aplicação irregular de verbas públicas. A Vara Regional das Garantias da Comarca da Capital (1ª RAJ) autorizou todos os mandados de busca.

A investigação revelou inconsistências desde a fase de contratação. O Instituto Conhecer Brasil foi a única organização participante do chamamento público, apesar de não possuir experiência comprovada, histórico técnico ou capacidade operacional no setor de telecomunicações. Seu histórico anterior limitava-se a organização de feiras literárias e eventos religiosos.

Análise comparativa de valores apontou disparidades significativas. A Prodam, empresa pública municipal de tecnologia, prestava serviços equivalentes com custo de R$ 230 pela implantação de cada ponto de acesso e R$ 306 de manutenção mensal. Em contraste, o Instituto Conhecer Brasil estabeleceu tarifa fixa mensal de R$ 1.800 por ponto instalado, representando valor substancialmente superior aos cofres públicos.

Conforme cronograma estabelecido, o programa previa a entrega de 5 mil pontos de conectividade até junho de 2025 em regiões periféricas da capital. Segundo os investigadores, as metas não foram cumpridas nos prazos determinados.

A Prefeitura de São Paulo informou que o programa WiFi Livre SP mantém funcionamento normal e afirma que o processo de contratação respeitou a legalidade. A administração municipal destaca que o chamamento público ocorreu em 2024, antes de qualquer envolvimento com a produção cinematográfica mencionada.

A operação resultou de investigação solicitada pelo Ministério Público estadual, com base em informações da Procuradoria da República. A apuração permaneceu na esfera estadual porque os recursos financeiros pertencem exclusivamente à administração municipal de São Paulo.

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