A Polícia Federal revelou evidências de que o empresário Luciano Cândido Amaral funcionava como operador financeiro do desembargador afastado Dirceu dos Santos, integrante do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A investigação apontou que Amaral realizava pagamentos de despesas pessoais do magistrado e executava diversas operações financeiras em seu favor.
Os detalhes da apuração foram divulgados na decisão do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, que autorizou as ações de busca e apreensão na Operação Gemini, desencadeada na segunda-feira para examinar suspeitas de comercialização de decisões judiciais e movimentação irregular de recursos.
Conforme os relatórios da Polícia Federal, Luciano quitou 11 boletos vinculados a Dirceu, totalizando aproximadamente R$ 258 mil. Os documentos de inteligência financeira demonstraram ainda transferências diretas e indiretas entre os dois que ultrapassam R$ 600 mil, configurando um padrão de movimentação considerado suspeito pelos investigadores.
Na decisão judicial, o ministro destacou que as investigações apontaram para a atuação de Luciano como operador financeiro mantendo conexões empresariais diretas e indiretas com o desembargador, além de evidências de quitação de obrigações financeiras e transações que beneficiaram tanto Dirceu quanto seus familiares.
O empresário consta entre os 16 alvos da operação, juntamente com o desembargador, o deputado estadual Faissal Calil, o advogado Bruno Castro e demais investigados. Todos receberam mandados de busca domiciliar cumpridos pela Polícia Federal na última segunda-feira.
A investigação ganhou impulso após análise de mensagens recuperadas do telefone do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023. Na agenda de contatos, Luciano Amaral aparecia com o apelido "Irmão Gêmeo – DD", referência que os investigadores interpretam como ligada ao desembargador Dirceu dos Santos, o que orientou as linhas investigativas que originaram a Operação Gemini.
A operação abrangeu a apreensão de diversos itens entre residências e escritórios dos investigados, incluindo relógios, canetas de marcas de luxo, armas e outros objetos de valor. A Polícia Federal ainda não divulgou em quais endereços os bens foram localizados.




