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Massacre de 3,5 mil indígenas em MT permanece esquecido

Em 1963, o povo Cinta Larga sofreu um dos maiores massacres da história brasileira no noroeste de Mato Grosso, com cerca de 3,5 mil mortos em um único ataque. Conhecido como Massacre do Paralelo 11, o episódio permanece quase desconhecido pela população e ausente dos livros de História mais de 60 anos depois. Pesquisas recentes de historiadores da UFMT revelam detalhes do crime motivado pela expansão econômica e exploração de recursos naturais na região.

Redação Agora Pronto News(há 5 dias)
Massacre de 3,5 mil indígenas em MT permanece esquecido

Um dos capítulos mais sombrios da história de Mato Grosso envolve a morte de aproximadamente 3,5 mil indígenas do povo Cinta Larga em um único ataque devastador. O episódio, ocorrido em 1963 no noroeste do estado, ficou mundialmente conhecido como Massacre do Paralelo 11, em referência à coordenada geográfica aproximada onde aconteceu a tragédia.

Os métodos utilizados foram brutais e variados: açúcar contaminado com arsênio foi lançado de aeronaves para envenenar crianças e adultos, enquanto explosivos, disparos de armas de fogo e golpes de facão eliminavam os sobreviventes. A crueldade do evento o coloca entre os maiores massacres contra povos indígenas registrados no Brasil durante o século XX.

Apesar de sua gravidade histórica, o massacre permanece praticamente desconhecido pela população mato-grossense, raramente aparecendo em currículos escolares e cercado por lacunas que nunca foram completamente esclarecidas. Nem mesmo o local exato do crime é conhecido com precisão até hoje.

O pesquisador e professor Julio César dos Santos, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Mato Grosso, trouxe à tona detalhes do massacre em sua tese de doutorado. Durante pesquisas sobre o impacto da ocupação no povo Rikbaktsa, Santos localizou documentos e relatos que o levaram a incluir o episódio no estudo acadêmico.

Segundo Santos, o massacre foi consequência direta da expansão econômica brasileira nas décadas de 1940 e 1950, especialmente após a Segunda Guerra Mundial. O Brasil vivia uma corrida desenfreada pela exploração de borracha, impulsionada pela crescente demanda internacional, particularmente dos Estados Unidos.

O governo brasileiro, visando atender essa demanda, concedeu extensas áreas da Amazônia a empresas seringalistas. Em Mato Grosso, essa exploração avançou de forma agressiva sobre territórios indígenas, causando conflitos mortais entre exploradores e populações nativas.

A pesquisa de Santos utilizou documentos valiosos do acervo da Prelazia de Diamantino, incluindo relatórios da Missão Jesuíta preservados pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, além de entrevistas com sobreviventes Rikbaktsa. Esses depoimentos revelam a profundidade do trauma deixado pela chacina nas comunidades indígenas da região.

O reconhecimento dessa tragédia histórica é fundamental para compreender os impactos da colonização e exploração econômica sobre os povos originários de Mato Grosso, resgatando uma memória que não pode ser esquecida.

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