O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, apresentou justificativas para o aumento orçamentário do projeto de estações do Sistema BRT que conectará Cuiabá e Várzea Grande. O custo saltou de R$ 68 milhões, no primeiro edital lançado em setembro de 2025, para R$ 120 milhões após a assinatura do segundo contrato com a empresa Lotufo Engenharia e Construções em dezembro.
Durante sua participação em audiência pública na Assembleia Legislativa, Marcelo enfatizou que os investimentos adicionais são necessários para garantir conforto aos usuários diante das altas temperaturas característica de Cuiabá. O secretário ressaltou que a população não deveria ser acomodada em estruturas precárias, justificando as melhorias implementadas no novo projeto das 77 estações e paradas.
As alterações incluem piso de qualidade superior, vidros especiais com redução na absorção de calor e luz solar, sistema completo de ar-condicionado, forro isolante e outras modificações estruturais. Segundo a administração estadual, essas mudanças elevam significativamente a qualidade dos espaços onde os passageiros aguardarão seus transportes.
Marcelo também atribuiu as modificações à necessidade de substituir a empresa responsável pelo projeto anterior, alegando que a contratada original não apresentava as competências técnicas exigidas. O Governo do Estado teria solicitado melhorias que culminaram no novo orçamento.
O deputado estadual Lúdio Cabral questionou publicamente as explicações apresentadas, argumentando que simples melhorias em climatização e acabamento não justificam um acréscimo tão expressivo. Conforme dados da própria Sinfra, aproximadamente 90% do investimento em cada estação corresponde à estrutura metálica, o que torna questionável se as melhorias mencionadas explicam adequadamente o aumento de R$ 50 milhões.
Em resposta ao questionamento, Lúdio protocolou representação junto ao Tribunal de Contas do Estado para apuração detalhada dos custos e suas variações. O parlamentar considera que as justificativas apresentadas pelo secretário adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano, Isaac Nascimento Filho, que permaneceu na audiência após a saída de Marcelo, são insuficientes para validar o aumento orçamentário.




