A incidência crescente de câncer entre o público mais jovem vem gerando discussões importantes na comunidade médica de Mato Grosso e do Brasil. O oncologista Marcos Rezende identifica múltiplos fatores responsáveis por esse aumento preocupante, destacando-se o consumo desenfreado de produtos ultraprocessados combinado com o sedentarismo.
Rezende também ressalta um fator histórico muitas vezes ignorado: a alimentação oferecida nas escolas durante a década de 1990. "Quem viveu aquela época lembra bem: pipoquinha, salsicha, cachorro-quente. Fomos expostos a uma quantidade imensa de gordura e açúcar. Tudo isso deixa marcas no organismo", explica o especialista.
Segundo o médico, aproximadamente 90% dos diagnósticos de câncer são considerados esporádicos, surgindo da combinação entre predisposição genética individual e escolhas de estilo de vida. Os alimentos ultraprocessados já estão cientificamente associados a propriedades cancerígenas e podem despertar predisposições latentes em indivíduos vulneráveis.
"Esses produtos nocivos têm capacidade de estimular o desenvolvimento da doença em pessoas geneticamente predispostas e de piorar significativamente o quadro de quem já está doente", reforça Rezende em sua análise.
Para além da questão alimentar, o profissional enfatiza que o acompanhamento médico periódico e a observação cuidadosa dos sinais corporais são absolutamente essenciais. Muitos pacientes cometem o erro grave de normalizar alterações corporais persistentes, acreditando que desaparecerão naturalmente.
"O maior equívoco das pessoas é perceber algo anormal no corpo e achar que vai passar sozinho. Qualquer sintoma que persista e piore merece atenção profissional imediata", adverte. Como regra prática, o médico recomenda: qualquer incômodo físico que ultrapasse a marca de trinta dias sem melhora justifica uma investigação diagnóstica completa.
O especialista critica a tendência comum de as pessoas atribuírem sintomas preocupantes a condições simples como gripes passageiras, perdendo tempo valioso que poderia ser usado para detecção e tratamento precoce de doenças graves. A vigilância constante sobre mudanças no próprio corpo representa um passo fundamental na prevenção e no combate ao câncer.




