O programa Fantástico, transmitido pela Rede Globo no último domingo (5), trouxe à tona um conflito envolvendo fortuna milionária em Sinop, cidade localizada a 500 km de Cuiabá. A disputa judicial coloca frente a frente o proprietário de uma casa lotérica e uma ex-funcionária do estabelecimento, que reivindica a posse de um bilhete premiado da Mega-Sena.
O caso originou-se durante o concurso nº 2.620, realizado em 12 de agosto de 2023. Na ocasião, um bilhete foi impresso com defeito no estabelecimento. Conforme os procedimentos internos da lotérica, a funcionária realizou uma nova impressão da aposta, guardando o bilhete defeituoso no cofre. Naquele sorteio, quatro apostas acertaram as seis dezenas, dividindo o prêmio de R$ 116.235.513,11. Duas das apostas vencedoras foram registradas em Sinop, uma em Fortaleza (CE) e outra em Uberaba (MG).
Segundo as normas do estabelecimento, quando um estorno não é processado antes do resultado, o valor passa a pertencer aos sócios da lotérica. O bilhete válido foi entregue ao cliente original, enquanto o com defeito permaneceu guardado.
As imagens das câmeras de segurança revelam que, no dia seguinte ao sorteio, a funcionária retornou à lotérica, acessou o cofre, retirou o bilhete defeituoso, conferiu o resultado com auxílio de uma colega e fez uma ligação para seu marido. Em seguida, ela deixou o local e se dirigiu a uma agência da Caixa Econômica Federal para tentar resgatar os valores.
A instituição financeira solicitou até 90 dias para análise do bilhete, que apresentava rasuras. Três dias antes do encerramento desse prazo, em novembro de 2023, a Justiça determinou o bloqueio preventivo do valor.
O Ministério Público de Mato Grosso denunciou a ex-funcionária e seu marido pelos crimes de furto qualificado, com agravante de abuso de confiança, além de concurso de pessoas. A defesa argumenta que a mulher arcava com custos de apostas defeituosas e que este era um procedimento comum no estabelecimento, afirmando que pagava por qualquer dano relacionado aos jogos.
O caso permanece em andamento na Justiça, com o proprietário da lotérica buscando o reconhecimento do direito sobre o prêmio milionário.




