A Corte Suprema recebeu um pedido formal para investigar possíveis ilegalidades no financiamento de um documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes encaminhou à Presidência do STF uma denúncia que envolve o ex-mandatário e seus filhos Flávio e Eduardo.
O deputado federal Lindbergh Farias, representante da bancada petista pelo Rio de Janeiro, protocolou a notícia-crime pedindo que os três Bolsonaro sejam incluídos em investigação já em andamento na Corte. A apuração inicial, coordenada pelo ministro André Mendonça, analisa atividades internacionais de Eduardo Bolsonaro e agora pode ganhar novos desdobramentos.
Conforme o documento apresentado, Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos financeiros significativos ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, alegando ser para produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente. As negociações teriam envolvido quantias entre 24 e 26,8 milhões de dólares.
A questão central que motiva a investigação diz respeito ao paradoxo apontado na petição: se os recursos foram solicitados especificamente para a produção audiovisual, mas a empresa produtora nega ter recebido o repasse do empresário, surge a necessidade de rastrear o destino real do dinheiro. Este ponto é considerado fundamental para determinar se houve desvio de recursos ou operação financeira irregular.
Reportagens divulgadas em maio de 2026 trouxeram à tona as negociações envolvendo as partes, gerando repercussão nacional. O caso ganhou complexidade ao envolver não apenas questões de financiamento, mas possível participação de múltiplos membros da mesma família em operações financeiras de grande volume.
A Procuradoria-Geral da República, ao analisar o caso, constatou que existe estrutura investigativa já estabelecida no STF, permitindo que a documentação seja incorporada ao processo em andamento. Agora caberá à administração do Supremo Tribunal Federal definir como o material será processado e quais os próximos passos procedimentais.




