Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, trabalha como servidora da Câmara dos Deputados e integra a liderança do PP, partido do ex-presidente da Casa Arthur Lira. A Polícia Federal a identifica como figura central em um esquema investigativo que envolve deslocamento irregular de recursos públicos destinados ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que não possui mandato parlamentar.
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 119 milhões vinculados a Valdemar. A análise de dados extraídos do celular de Tuca, confiscado em dezembro durante a Operação Transparência, apontou a existência de um sistema paralelo de decisões para distribuição de verbas governamentais. Conforme os registros, Valdemar definia e reorganizava emendas independentemente de possuir mandato.
Com formação em direito, Tuca integrou o Conselho Fiscal da Codevasf em 2019, durante a administração Bolsonaro. A estatal transformou-se em um dos principais receptores de emendas, pois possuía capacidade operacional para executar projetos de pavimentação e aquisição de equipamentos agrícolas, incluindo tratores.
Desde 2021, Tuca atua junto a Lira dentro da Câmara. Em 2022, expandiu suas responsabilidades ao participar do Conselho Fiscal da Caixa Econômica Federal.
A PF descreve Tuca como a "figura principal do esquema". Seus atributos incluíam centralizar, processar e organizar indicações de Valdemar, contando com apoio de dois colegas da Câmara: Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto, ambos da liderança do PL.
Nas comunicações analisadas, Tuca recebia demandas e solicitações advindas de Valdemar transmitidas pelos outros dois colaboradores. Em conversa de agosto, Garigham informava que havia agendado encontro com Valdemar, mencionando que ele "vai jogar no turismo os 24" —referindo-se a R$ 24 milhões em emendas voltadas ao setor turístico. Tuca respondeu pedindo paciência, alegando já ter resolvido uma parcela desses valores.
No dia seguinte, quando indagada novamente se havia "fechado o valor do Pres. Valdemar", sugeriu direcionar mais indicações para turismo. Posteriormente, solicitou a Garigham a planilha da Codevasf, sinalizando que administrava simultaneamente diversas frentes de indicações.
Conforme a investigação, o grupo utilizava planilhas para organizar indicações e inseria nomes de parlamentares como solicitantes falsos das emendas, criando aparência de legitimidade para repasses que eram realmente determinados por Valdemar. A polícia identificou 21 emendas questionáveis nessas circunstâncias, com disponibilizações entre junho de 2024 e março de 2026, totalizando R$ 119,2 milhões, dos quais R$ 104 milhões já haviam sido transferidos efetivamente.




