A equipe jurídica do deputado estadual Faissal Calil (PL) divulgou posicionamento em resposta às operações policiais realizadas nesta segunda-feira (8), afirmando que a decisão que fundamentou as buscas e apreensões não contém acusações concretas sobre enriquecimento ilícito, recebimento de valores indevidos ou movimentações financeiras ilícitas contra seu cliente.
A Polícia Federal executou a Operação Gemini na manhã de hoje, com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), visando investigar alegadas práticas criminosas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo membros do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A operação também atingiu o desembargador Dirceu dos Santos, afastado de suas funções desde março, além do advogado Bruno Oliveira Castro e outros investigados ainda não revelados.
Conforme manifesto do advogado Roger Fernandes, representante da defesa, os argumentos utilizados pela autoridade policial referem-se fundamentalmente à atuação profissional de Faissal em procedimentos judiciais e suas relações institucionais pretéritas, elementos que isoladamente não caracterizam qualquer conduta ilegal ou criminosa.
O defensor reforçou que as medidas decretadas pelo STJ ocorreram em fase inicial da investigação, deixando claro que as acusações ainda serão submetidas ao exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme garantido pela Constituição Federal.
Historicamente, Faissal atuou no gabinete do desembargador Dirceu no período entre 2017 e 2018, antes de assumir seu cargo atual na Assembleia Legislativa do Estado.
Divergindo do posicionamento da defesa, a Polícia Federal apresentou acusações mais graves em seu comunicado oficial. Segundo a corporação, Faissal teria funcionado como operador econômico de confiança do magistrado, realizando transações financeiras que beneficiavam Dirceu. Entre as práticas apontadas estão o recebimento de quantias indevidas, pagamento de dívidas familiares do magistrado e operações imobiliárias envolvendo supostos intermediários (laranjas).
A Federal descreve Faissal como braço operacional do desembargador, responsável pela execução de operações que buscavam simular legalidade a atos criminosos. Segundo a corporação, as condutas investigadas visavam disfarçar o proveito originário de atividades criminosas sob aparência de transações legítimas.
O caso segue em investigação e aguarda desenvolvimento no âmbito do Superior Tribunal de Justiça.




