O senador Wellington Fagundes, pré-candidato ao Governo de Mato Grosso pelo PL, confirmou que recebeu um aviso direto do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre pressões internas para que o partido não participasse das eleições estaduais deste ano.
De acordo com o parlamentar, o diálogo aconteceu durante um evento de mobilização realizado pela direita e seus aliados no Rio de Janeiro no início de 2025. Na ocasião, Bolsonaro teria se aproximado de Wellington em particular para informá-lo sobre as articulações em andamento no Estado para enfraquecê-lo politicamente.
Wellington relatou à imprensa que ouviu do ex-presidente: "Eles estão aqui tentando nos convencer do PL não ter candidato". O senador respondeu que respeitaria a decisão de Bolsonaro sobre o tema.
O momento da revelação coincide com crescentes questionamentos sobre o apoio real que Wellington recebe dentro de sua própria estrutura político-partidária. O deputado federal José Medeiros, pré-candidato ao Senado, já manifestou publicamente que Wellington não deveria disputar o Governo. Além disso, os prefeitos Abilio Brunini, de Cuiabá, e Flávia Moretti, de Várzea Grande, ambos do PL, demonstram abertamente simpatia e apoio ao governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, que busca reeleição.
A mobilização citada por Wellington ocorreu em 6 de abril de 2025, com a presença de importantes lideranças mato-grossenses, incluindo o ex-governador Mauro Mendes e o próprio Pivetta. O evento teve como foco críticas ao Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Questionado sobre a articulação contra sua candidatura, principalmente envolvendo integrantes do setor agropecuário, Wellington mencionou que há mais de um ano sofre pressões para desistir da disputa. O senador não citou nomes específicos, mas referências anteriores apontam para o empresário Eraí Maggi como articulador de movimentos contrários à sua pré-candidatura.
Wellington argumenta que um candidato legítimo não pode existir sem concorrência e questiona por que lideranças estaduais tentam há tanto tempo convencer o PL a não ter representante na corrida ao Governo. Ele reafirma que mantém diálogos contínuos com todas as lideranças partidárias, buscando manter coesão dentro do PL apesar das tensões evidentes.




