O desenvolvimento da agroindústria mato-grossense deve estar no centro do debate da próxima eleição para governador. Os candidatos precisam apresentar propostas viáveis e concretas sobre como transformar a vasta produção agrícola do estado em produtos industrializados de maior valor agregado.
Mato Grosso enfrenta um paradoxo produtivo: domina a produção nacional de algodão com aproximadamente 70% da safra brasileira, mas não acompanha essa liderança com indústrias de processamento têxtil. Situação semelhante ocorre com a soja, em que o estado é o maior produtor nacional, praticamente equiparando-se aos níveis de produção da Argentina. Mesmo com esse potencial, a maioria dos produtos segue sendo exportada in natura, sem agregação de valor local.
Os eleitores devem avaliar quais promessas eleitorais possuem fundamento técnico e financeiro para viabilizar essa transformação econômica. Uma estratégia consistente seria estudar modelos já implementados em outras regiões que obtiveram resultados positivos, adaptando-os à realidade local mato-grossense.
Entre as possibilidades mencionadas estão parcerias com empresas estrangeiras dispostas a investir em complexos agroindustriais. A China, por exemplo, possui interesse em expandir manufaturas em diversos setores, inclusive agrícola. O receio ou rejeição preventiva não soluciona o problema; o importante é avaliar se a proposta é viável economicamente.
O setor de etanol já demonstra o potencial de industrialização do milho, outro produto em que Mato Grosso é potência. Especialistas questionam se o estado atingiu o limite de capacidade de processamento ou se ainda há espaço para expansão produtiva.
Na área de carnes, o desafio permanece similar: o estado continua exportando praticamente toda a produção de forma bruta, sem maior processamento industrial. Expandir frigoríficos e indústrias de alimentos processados agregaria empregos e renda regional.
Iniciativas de industrialização familiar também ganham espaço, como pequenas manufaturas de produtos têxteis e confecções a partir do algodão local. Essas alternativas geram emprego descentralizado e fortalecem a economia de municípios menores.
O mercado para produtos industrializados mato-grossenses existe tanto internamente quanto nas exportações regionais, particularmente no Mercosul e países da América Andina. Produtos processados possuem melhor margem de lucro que commodities in natura.
Ao votar para governador, mato-grossenses devem exigir planos específicos sobre como ampliar a base industrial agrícola, identificando fontes de investimento, incentivos fiscais, infraestrutura necessária e cronogramas realistas de implementação. Propostas genéricas ou sem detalhamento técnico revelam falta de preparação para essa transformação estrutural que o estado necessita.




