O governo dos Estados Unidos formalizou a aplicação de tarifa de 25% sobre diversos produtos oriundos do Brasil. A medida, anunciada na última quarta-feira (15), resulta de uma investigação iniciada em julho do ano anterior e finaliza o processo sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana. As cobranças entrarão em efeito a partir de 22 de julho.
A lista de produtos isentos da tributação compreende aproximadamente 2.100 itens, entre eles carnes vermelhas, café em grão, frutas cítricas e seus derivados, além de componentes destinados à indústria aeronáutica. Esses segmentos representam pilares relevantes nas exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Após avaliar manifestações de empresas e entidades comerciais durante audiências realizadas na semana anterior, Washington expandiu ainda mais o rol de exceções. Essa ampliação reconhece que certos insumos são fundamentais para a manufatura americana, apresentam escassez no mercado interno ou demandam fornecedores especializados. A inclusão desses produtos nas isenções visa evitar elevação de custos e perturbações nas cadeias de suprimento nos EUA.
A relação de bens excluídos da tarifa incorpora ferro-gusa, café solúvel puro, mel de origem orgânica, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, frutos do mar selecionados, artigos de couro, produtos de madeira específicos, medicamentos e componentes farmacêuticos, além de peças históricas, obra de arte e vestuário usado.
Contudo, várias solicitações de isenção foram negadas. O governo americano rejeitou pedidos de setores como maquinário agrícola, equipamentos industriais, confecções, calçados, componentes elétricos, ferramentas de paisagismo, papel e açúcar de cultivo orgânico. A decisão baseou-se na avaliação de que tais produtos possuem alternativas em outros países ou que os impactos econômicos não justificam uma exclusão.
A celulose de alta pureza foi removida da lista de isentos após manifestações indicando que sua produção no Brasil estaria associada a desmatamento irregular. Essa decisão sinaliza preocupações ambientais do governo americano.
A investigação abrangeu diversas questões comerciais entre os países, desde questões tradicionais como as alíquotas brasileiras sobre importação de etanol, até reclamações contemporâneas envolvendo o sistema Pix. Empresas de cartões de crédito americanas argumentam que o Banco Central brasileiro oferece vantagens ao meio de pagamento instantâneo, acusação que o governo brasileiro refuta veementemente.
Autoridades americanas indicam que canais para negociação permanecem abertos. Simultaneamente, críticos ressaltam que Washington tentou dialogar com Brasília durante doze meses sem alcançar consenso satisfatório, justificando assim a aplicação das penalidades comerciais.




