Autoridades norte-americanas confirmaram no domingo que Irã e Estados Unidos chegaram a um entendimento para encerrar a escalada de confrontos na região do Golfo Pérsico e restaurar as conversas diplomáticas. O acordo busca preservar o memorando de 14 pontos assinado em 17 de junho, que previa a reabertura do estratégico estreito de Ormuz para navegação comercial.
Segundo informações divulgadas, ambas as nações se comprometeram a manter a moderação nos próximos passos, permitindo que embarcações comerciais circulem livremente pela região. As negociações técnicas devem prosseguir em todas as áreas contempladas no acordo anterior, com retorno das conversas marcado para terça-feira (30) em Doha, no Catar.
A decisão de retomar o diálogo diplomático surge após uma sequência preocupante de incidentes militares. Na quinta-feira (25), um projétil iraniano atingiu um navio de carga no estreito, evento que desencadeou uma série de represálias mútuas. Na madrugada de domingo (28), o Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait e Bahrein, provocação que ocorreu horas após o presidente Donald Trump ameaçar a existência do regime iraniano nas redes sociais.
A situação também envolve conflitos paralelos no Oriente Médio. Israel reportou novos ataques contra posições do Hezbollah no sul do Líbano, destruindo instalações subterrâneas utilizadas pela milícia apoiada pelo Irã. Esses ataques ocorreram dias após um cessar-fogo bilateral ser selado com o país vizinho.
O Irã reafirma que a cessação dos combates no Líbano é condição essencial para manter o acordo maior envolvendo a reabertura do estreito de Ormuz, considerada a rota mais crítica para o transporte de energia global. Durante grande parte do conflito, Teerã manteve o estreito praticamente fechado ao tráfego.
O acordo de paz provisório, negociado há dois meses, tinha como objetivos principais interromper os combates iniciados por EUA e Israel no final de fevereiro e normalizar o fluxo de energia através do golfo, enquanto conversas sobre o programa nuclear iraniano prosseguem em paralelo. Analistas veem o retorno às negociações como sinal positivo para evitar escalada maior do conflito regional.


