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El Niño ameaça plantio em MT com risco de replantio total

Especialistas alertam que o El Niño pode prejudicar o plantio da próxima safra em Mato Grosso entre setembro e outubro. A combinação de chuvas irregulares e temperaturas elevadas oferece risco de perda total da produção inicial, afetando as projeções de 47,1 milhões de toneladas de soja.

Redação Agora Pronto News(há 4 dias)
El Niño ameaça plantio em MT com risco de replantio total

Mato Grosso, principal produtor de grãos do Brasil, enfrenta ameaça significativa com a chegada do El Niño justamente durante o período crítico de plantio. Segundo análise do climatologista Rodrigo Marques, professor da Universidade Federal de Mato Grosso, o fenômeno meteorológico deve provocar chuvas desigualmente distribuídas e temperaturas acima do normal entre setembro e outubro, meses fundamentais para a implantação da safra de soja.

O pesquisador destaca que a fase inicial do ciclo produtivo será a mais vulnerável aos impactos do El Niño. A falta de precipitações adequadas combinada com o calor excessivo pode inviabilizar a germinação das plantas logo após o plantio. Em situações extremas, quando há períodos secos prolongados e temperaturas muito elevadas, os agricultores podem perder toda a plantação realizada e precisar replantá-la, gerando prejuízos significativos.

Este cenário preocupante ocorre num momento em que o estado colhe excelentes resultados. Na safra 2024/25, Mato Grosso produziu 111,9 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 18,7% comparado ao ciclo anterior, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para a próxima temporada, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária projeta 47,1 milhões de toneladas de soja e 51,7 milhões de toneladas de milho.

A vulnerabilidade de Mato Grosso ao El Niño está diretamente relacionada à influência da Amazônia no regime de chuvas estadual. Aproximadamente 90% das precipitações anuais ocorrem entre outubro e abril, dependendo da umidade transportada pela floresta. Alterações nesse sistema afetam diretamente a produção agrícola regional. O fenômeno modifica a circulação atmosférica sobre a região amazônica, reduzindo a formação de nuvens de chuva que normalmente abastecem o estado durante o período chuvoso.

Quando o El Niño coincide com a estação chuvosa, Mato Grosso experimenta períodos mais secos acompanhados de ondas de calor intensas. Essa combinação prejudicial compromete desde a germinação inicial até o desenvolvimento das culturas. O climatologista reforça que setembro representa o mês mais crítico, pois o plantio de soja realizado sem chuvas adequadas se torna praticamente inviável.

Os agricultores mato-grossenses já vivenciaram situações semelhantes em safras anteriores, quando o El Niño causou perdas substanciais. A expectativa agora é que o setor agrícola se prepare para possíveis adversidades climáticas e planeje estratégias de mitigação de riscos para proteger a produção estadual.

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