O mercado da carne bovina brasileira enfrenta desafios significativos neste segundo semestre. Recentemente, a Noruega anunciou que vai suspender as importações do produto brasileiro a partir do dia 3 de setembro, alinhando-se à decisão já tomada pela União Europeia (UE). Paralelamente, a China, que é o principal destino das exportações brasileiras desse setor, restringiu as vendas por meio de uma cota anual, aplicando uma tarifa adicional de 55% sobre o volume que ultrapassar o limite estabelecido.
Embora o volume comercializado pela Noruega seja pequeno — foram apenas 279 toneladas compradas em 2025, gerando uma receita de R$ 19,4 milhões — a decisão alerta para o risco de um efeito dominó entre outras nações. Para a UE, o cenário é mais impactante: em 2024, o bloco europeu adquiriu cerca de 128 mil toneladas de carne brasileira, com uma receita próxima a R$ 5,1 bilhões.
A suspensão europeia não decorre da detecção de produtos contaminados, mas sim da não conformidade do Brasil com as novas regras antiparasitárias do bloco. O regulamento europeu veda o uso de antimicrobianos que aceleram o crescimento dos bovinos e restringe medicamentos essenciais para humanos. Para manter as exportações, o Brasil deve apresentar um controle rigoroso do histórico dos animais, desde o nascimento até o abate, incluindo as fazendas por onde passaram, tratamentos e alimentação. Esse sistema é complexo, pois um bovino pode permanecer até dois anos dentro da cadeia produtiva, passando por diferentes propriedades.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) orientou as indústrias frigoríficas a implementarem um sistema de registros auditáveis, porém ainda aguarda aprovação das autoridades europeias. Caso não haja entendimento até a data limite, o país perderá o mercado europeu, que apesar de menor volume, oferece preços mais elevados, principalmente para cortes nobres.
No primeiro semestre de 2025, a União Europeia importou 51,2 mil toneladas, pagando uma média de R$ 45 mil por tonelada, bem superior ao preço médio dos demais mercados, de R$ 29,5 mil. Com isso, transferir as vendas para outros países não garante a compensação do faturamento perdido.
Em relação à China, o impacto é maior em quantidade. Desde janeiro, o Brasil pode exportar até 1,106 milhão de toneladas com tarifa regular de 12%. Além dessa cota, há uma sobretaxa de 55 pontos percentuais, elevando o custo total para 67%. No ano, a China adquiriu cerca de 1,7 milhão de toneladas da carne brasileira. No primeiro semestre, já computa 794,7 mil toneladas exportadas, o equivalente a 72% da cota anual, resultando em receita em torno de R$ 24,84 bilhões. A diferença entre esta cota e o volume comercializado no ano anterior indica a necessidade de encontrar novos compradores para aproximadamente 600 mil toneladas.
Os Estados Unidos têm se mostrado uma alternativa de mercado, importando 205 mil toneladas no primeiro semestre e gerando R$ 6,89 bilhões em receita para o setor. Embora o produto brasileiro não tenha sido incluído na recente tarifa de 25% aplicada pelos EUA, ainda permanece sujeito a uma cota específica para essa negociação.




