O Brasil está prestes a colher uma safra de canola que deve atingir cerca de 601,3 mil toneladas na temporada 2025/26, conforme dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse volume representa um aumento significativo de 74,4% em comparação às 344,8 mil toneladas colhidas na safra anterior, destacando o rápido crescimento dessa cultura que serve para produção de óleo alimentar, farelo para ração animal e matéria-prima para biocombustíveis.
A colheita da canola ainda está começando, especialmente no Rio Grande do Sul, estado responsável pela maior fatia da produção nacional. Segundo o acompanhamento técnico local, até a segunda quinzena de setembro, apenas cerca de 1% da área cultivada havia sido colhida. A maior parte das plantações, aproximadamente 88%, encontrava-se nas fases de floração e enchimento dos grãos, enquanto 9% estava em maturação.
As plantações de canola da safra 2025/26 foram feitas principalmente entre abril e junho de 2026, com a previsão de que a colheita ocorra durante a primavera. O plantio da próxima safra, 2026/27, ainda não começou e está marcado para começar no primeiro semestre de 2027.
O aumento na produção está ligado principalmente à expansão da área cultivada, que chegou a 371,1 mil hectares, 75,1% a mais do que os 211,9 mil hectares da temporada anterior. A produtividade, por sua vez, se manteve estável, com média estimada de 1.620 quilos por hectare, pouco diferente dos 1.627 quilos coletados em 2024/25.
O Rio Grande do Sul concentra quase 95% da área cultivada, com cerca de 353,4 mil hectares segundo a Conab. Além do estado gaúcho, há cultivo de canola também no Paraná, Santa Catarina e algumas outras regiões do país, onde esforços de pesquisa buscam adaptar a cultura para colheita como segunda safra.
Na maioria das áreas do Rio Grande do Sul, o desenvolvimento das lavouras tem sido satisfatório, principalmente no Noroeste do estado, onde as plantações foram feitas mais cedo. A continuidade da colheita dependerá da maturação adequada dos grãos e de períodos secos que permitam reduzir perdas e manter a qualidade do produto.
A canola faz parte da mesma espécie da colza, mas é diferenciada por possuir baixo teor de ácido erúcico e glucosinolatos, tornando seu óleo apto para consumo humano. Os grãos contêm cerca de 38% de óleo, de acordo com a Embrapa.
Além do óleo para alimentação, o restante do grão - o farelo - é rico em proteínas e utilizado como ração para bovinos, suínos e aves, atendendo às especificações nutricionais de cada tipo de criação.




