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Custo real do trator pode reduzir renda do produtor na safra 2026/27

Além do diesel, despesas como depreciação, manutenção e seguro impactam o custo do trator. Entender esses gastos ajuda produtores de Mato Grosso a decidir entre manter, trocar ou terceirizar o uso da máquina na próxima safra.

Redação Agora Pronto News(há 4 dias)
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Custo real do trator pode reduzir renda do produtor na safra 2026/27

À medida que o plantio da safra 2026/27 avança em Mato Grosso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) alerta para um custo pouco percebido pelos agricultores: o valor total da hora trabalhada do trator no campo. Mais que o gasto com diesel, é fundamental incluir despesas como depreciação, manutenção, seguro e o custo do capital investido no equipamento.

Estudos da Conab e da Embrapa indicam que, para calcular o preço real da hora-máquina, é necessário considerar tanto custos fixos quanto variáveis. Se certos custos forem ignorados, o trator pode parecer mais barato do que realmente é, mascarando o impacto negativo na rentabilidade da lavoura.

O problema é ainda maior quando o trator fica pouco tempo em atividade. Mesmo sem funcionar, itens como depreciação, seguro e capital imobilizado continuam gerando despesas que precisam ser rateadas por menos horas, elevando o custo por hora. Essa análise é útil para decidir se convém comprar um trator novo, compartilhar a máquina com vizinhos ou contratar um serviço terceirizado.

Um exemplo prático: um trator adquirido por R$ 200 mil e vendido por R$ 80 mil após dez anos implica uma depreciação anual de R$ 12 mil. Caso ele trabalhe 500 horas por ano, a depreciação custa R$ 24 por hora; se o uso cair para 250 horas, o valor sobe para R$ 48 por hora, evidenciando como a ociosidade encarece o equipamento mesmo sem maior consumo de combustível.

Quanto ao combustível, um trator que consome 8 litros/hora, com preço do diesel a R$ 6, gera custo de R$ 48 por hora. Adicionando R$ 28 entre manutenção e operador, o custo variável por hora alcança R$ 76. Somando a depreciação de R$ 24, o custo total fica em R$ 100 por hora - sem considerar seguro, juros, lubrificantes e custos do capital próprio.

Cada agricultor deve ajustar esses números com base nos dados da sua propriedade: preço pago pelo trator, valor de revenda, vida útil esperada, horas de uso, consumo de combustível e histórico de manutenção. O horímetro do painel é a fonte mais precisa para medir o tempo de trabalho. Registrá-lo antes e depois das operações ou mensalmente, junto com notas fiscais e ordens de serviço, ajuda a controlar os custos reais com peças e serviços.

Com o custo bem apurado, é possível comparar o gasto por hora com o valor cobrado por prestadores de serviço na região. Essa terceirização pode ser vantajosa para quem usa a máquina pouco durante o ano - desde que seja possível agendar o serviço no período ideal sem atrasos. Retrasos no plantio, na pulverização ou na colheita podem custar mais do que a economia obtida.

Outra alternativa é compartilhar a máquina com produtores vizinhos, aumentando o uso e diluindo os custos fixos. A compra de um trator novo só se justifica se a redução dos custos operacionais e o aumento da capacidade compensarem o investimento.

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