Nas mudanças políticas que ocorrem no Brasil, a escolha do ministro da Fazenda chama atenção por revelar uma forte preferência por nomes ligados ao eixo Rio-São Paulo. Esses dois estados dominam historicamente a direção da economia do país, consolidando uma tradição que se mantém há décadas.
As discussões sobre desenvolvimento social, saúde, educação e segurança pública inevitavelmente passam pela pasta da Fazenda, responsável por gerir a política econômica e afetar diretamente a vida de mais de 213 milhões de brasileiros. Após cada eleição presidencial, o mercado financeiro e a população acompanham de perto quem assumirá essa cadeira estratégica.
Um exemplo recente do domínio paulista e fluminense ocorreu no governo Lula 3. Em 2022, o paulista Fernando Haddad assumiu o ministério, mas deixou o cargo para concorrer ao governo do estado de São Paulo. Em seu lugar, outro paulista, Dario Durigan, assumiu. Antes deles, Gabriel Galípolo, também de São Paulo, foi secretário-executivo da Fazenda antes de ocupar a presidência do Banco Central.
No mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, a situação foi similar, porém com um representante do Rio de Janeiro à frente da Economia: Paulo Guedes, reconhecido pelo seu histórico na Faria Lima.
Um levantamento desde a era dos governos militares mostra que, dos ministros da Fazenda, 17 são originários de São Paulo e Rio de Janeiro (nove paulistas e oito fluminenses). Minas Gerais aparece com dois representantes e outras unidades da federação, como Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Pernambuco e Paraná, foram contempladas com um ministro cada. Curiosamente, nenhum representante da Região Norte já ocupou o cargo.
A explicação para essa hegemonia está na importância econômica do Sudeste. A região concentra R$ 5,8 trilhões do PIB brasileiro, algo em torno de 53% de toda a produção econômica nacional. São Paulo lidera o setor financeiro do país, com a avenida Faria Lima e a bolsa de valores B3, enquanto o Rio de Janeiro abriga a Petrobras e as únicas usinas nucleares em atividade do Brasil, além de ser presença forte no turismo nacional.
Além dos aspectos financeiros, a especialista Eduarda Lima Gomes, economista da Comissão da Mulher do Corecon-SP, destaca que o polo sudestino também reúne universidades renomadas, centros de pesquisa e grandes corporações, reforçando sua posição de liderança econômica e política.
Essa concentração traduz-se no contínuo predomínio de ministros oriundos do eixo Rio-SP para comandar a Fazenda, mostrando um cenário ainda muito centralizado em termos de gestão da economia brasileira.




