O mercado do algodão brasileiro tem motivos para comemorar com o fechamento do ano comercial 2025/26, quando o país registrou a maior quantidade de algodão exportada da sua história: 3,37 milhões de toneladas. Essa marca inédita eleva a importância do Brasil na cadeia global do algodão, resultado também da recente valorização dos preços internacionais.
Desde o começo de julho, o contrato para entrega em dezembro de 2026 na bolsa de Nova York apresentou alta expressiva de 16,81%, atingindo 90,02 centavos de dólar por libra-peso na última semana de agosto, conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Esse movimento está ligado principalmente às incertezas sobre as condições das plantações nos Estados Unidos, que podem afetar a produção no principal concorrente do Brasil.
Essas altas repercutem diretamente nos valores recebidos pelos produtores brasileiros. A paridade de exportação para o contrato de dezembro atingiu R$ 152,73 por arroba na última semana de agosto, com crescimento de 15,19% desde início de julho. Isso marca uma recuperação importante após um período de pressão sobre os preços pagos aos agricultores.
A expansão brasileira no mercado global fica evidente também no crescimento das exportações: houve um aumento de 19% quando comparado ao ano comercial anterior, passando de 2,84 milhões para 3,37 milhões de toneladas. Nos últimos quatro ciclos, o volume exportado mais que dobrou — saindo de 1,45 milhão em 2022/23 para o recorde atual.
A China lidera como destino das vendas brasileiras, comprando 770,5 mil toneladas entre agosto de 2025 e julho de 2026, o que corresponde a quase um quarto do total exportado. Outros países da Ásia também têm elevado a demanda, reforçando a presença do algodão brasileiro nos principais mercados do mundo.
A produção nacional acompanha esse crescimento, estimada em 4,06 milhões de toneladas para a temporada 2025/26 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse volume coloca o Brasil como um dos maiores produtores globais, assegurando oferta suficiente para atender tanto o mercado interno quanto o externo, essencial para a lucratividade do setor.
Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o Brasil seguirá como principal exportador mundial na temporada 2026/27, superando até mesmo os Estados Unidos. Essa posição reforça a importância do país na economia global do algodão.
Para os produtores brasileiros, a valorização recente nas cotações internacionais é um alívio que melhora a competitividade das exportações e impacta positivamente a renda rural. Porém, mantê-la dependerá das condições das safras nos EUA e da demanda global, que continuam sendo fatores decisivos nos próximos meses.




