A pernambucana Beatriz Ferreira Duarte completou 115 anos em junho, confirmando seu lugar como segunda pessoa mais velha do Brasil. O marco foi celebrado em Jaboatão dos Guararapes, rodeada por quatro gerações de sua família, que reconhecem sua longevidade excepcional como exemplo vivo de vida bem vivida.
O único nome que a supera em idade é o da fluminense Yolanda Beltrão de Azevedo, também centenária de 115 anos. A diferença entre elas é de poucos meses de nascimento, com Yolanda tendo chegado primeiro ao mundo em janeiro.
O que chama atenção em Beatriz é sua saúde invejável para a idade. Diferentemente da maioria das pessoas idosas, ela não toma nenhum medicamento e apresenta exames clínicos considerados ótimos pela equipe médica. A família salienta que essa condição representa um feito raro e notável nos dias atuais.
Beatriz é mãe de quatro filhas, avó de sete netos, bisavó de doze bisnetos e tatara-avó com mais um membro a caminho. Sua neta mais jovem, Wívian Duarte, relata que embora a idosa não mantenha mais a lucidez que tinha até os 106 anos, ela ainda consegue se comunicar através de gestos afetivos e expressões conforme seu humor do dia.
Sua bisneta Yslla Duarte recorda de uma Beatriz ativa e serena. Durante a infância, encontrava a dona de casa assobiando baixinho, sempre com expressão tranquila e desprovida de pressa. Essa atitude perante a vida marcou profundamente a memória de quem conviveu com ela.
O próprio segredo da longevidade foi revelado por Beatriz em seu centenário. Quando questionada sobre como chegou a tão avançada idade, a idosa respondeu com simplicidade: "sempre obedeci meus pais". Seus familiares destacam que ela vivia um lema próprio: "Do dia de amanhã, a Deus pertence", demonstrando uma fé e tranquilidade que a afastava das preocupações desnecessárias.
Sua história de vida foi marcada por hábitos saudáveis naturais. Aos 90 anos ainda nadava sozinha em Porto de Galinhas e cuidava de suas flores agachada nos canteiros. A família preserva memórias curiosas, como sua forma peculiar de tomar café, que despejava no pires em vez de na xícara.
Apesar de não ter tido educação formal, dedicando-se exclusivamente ao lar, Beatriz é lembrada por sua praticidade e recusa em viver com pressa. Seus descendentes enxergam nela um modelo de vida bem aproveitada, onde a simplicidade e a paz interior foram tão fundamentais quanto qualquer fator biológico.




