O cacique Raoni Metuktire enfrentou novo episódio de saúde delicado na noite de segunda-feira (29), quando apresentou sangramento no sistema digestivo. O procedimento de endoscopia realizado identificou hemorragia tanto no estômago quanto no duodeno, a primeira porção do intestino delgado.
Conforme boletim do Hospital São Paulo vinculado à Unifesp, divulgado na terça (30), o quadro clínico do líder indígena foi controlado. Atualmente, Raoni mantém-se estável, embora apresente distensão abdominal e necessite de cateter de oxigênio para garantir conforto respiratório durante sua permanência hospitalar.
Apenas uma semana antes, o cacique tinha deixado a Unidade de Terapia Intensiva após submeter-se a uma cirurgia de desobstrução intestinal que transcorreu sem maiores problemas. Desde o dia 19 de outubro, ele permanece internado na unidade paulista para prosseguir com seu acompanhamento cirúrgico e clínico.
A transferência para a capital paulista ocorreu a partir de Sinop, em Mato Grosso, onde Raoni estava internado desde o dia 14. O deslocamento foi determinado após análise conjunta das equipes médicas responsáveis e contou com transporte aéreo disponibilizado pelo Governo estadual. Na época de sua chegada a Sinop, o líder kayapó havia sido diagnosticado com sepse pulmonar associada a pneumonia broncoaspirativa, condição que se manifestou após episódios de vômito registrados em sua residência, localizada na região de Peixoto de Azevedo.
Em São Paulo, o acompanhamento é conduzido pelo cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, docente da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Este é apenas o mais recente de uma sequência de eventos de saúde que marcam o ano para Raoni, pois apenas quatro semanas antes ele havia recebido alta da unidade mato-grossense.
As complicações de saúde do cacique refletem suas condições pré-existentes. Raoni convive com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), insuficiência cardíaca, dependência de marcapasso cardíaco e hérnia diafragmática. Desde 2020, o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, tornou-se uma instituição importante para seu cuidado, registrando seis internações neste período.
A parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso e o hospital tem possibilitado o acompanhamento especializado de Raoni, através das Expedições UFMT-Xingu, um programa de extensão que leva atendimento de qualidade às aldeias da Terra Indígena Capoto/Jarina.




