Uma recente troca de mensagens no WhatsApp entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Luiz Fux, expôs o clima de tensão que permeia a Suprema Corte. O conflito começou após Gilmar Mendes cobrar do presidente da Corte, Luiz Fux, uma postura institucional em relação a um suposto acordo entre ele, André Mendonça e Kassio Nunes Marques para solicitar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O impasse ocorreu em um momento incomum, quando os ministros votaram após Gilmar pedir vista do processo. O diálogo revelado aos meios de comunicação mostra a troca de farpas entre os magistrados.
Gilmar Mendes iniciou a conversa afirmando: “Isto revela qualquer coisa menos postura institucional. Espero que não se repita”. Fux respondeu firmemente, dizendo que Gilmar poderia esperar isso de quem quisesse, mas que ele próprio não aceitava ser orientado por ninguém. A troca continuou com Gilmar pedindo que Fux cuide de ser presidente da turma e Fux finalizando com um recado contundente: “Cuide de não encher meu saco!”.
Além disso, a controvérsia envolve acusações feitas por Gilmar contra o ministro André Mendonça. Segundo relatórios da Polícia Federal, Mendonça teria ignorado evidências obtidas no celular do advogado Daniel Vorcaro que poderiam afetar Kassio Nunes Marques e outros ministros. Em contrapartida, teria recebido apoio para suas decisões em processos envolvendo aliados do governo.
O relatório da PF ainda sugere que Mendonça agia com mais celeridade em pedidos contra aliados governistas, como Jaques Wagner, mas retardava decisões envolvendo opositores políticos, como Claudio Castro, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também teria exigido em apenas 72 horas uma investigação sobre supostos diálogos entre Alexandre de Moraes e Vorcaro.
Outro episódio revelado inclui uma troca ríspida entre Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques por meio do WhatsApp, que culminou no bloqueio de Gilmar pelo colega. Gilmar chegou a exigir que Kassio assumisse estar envolvido em problemas e se afastasse dos processos, afirmando ainda que ele deveria deixar também o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Kassio respondeu pedindo respeito e defendendo sua postura, destacando que presta contas há 15 anos como juiz.
Este ambiente de atritos evidencia divergências internas no STF que têm repercutido na condução de processos sensíveis ligados à política e à Polícia Federal, revelando um momento delicado para a corte máxima do país.




