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Overkill em feminicídios: a violência extrema que ultrapassa a morte

O fenômeno conhecido como overkill revela a violência excessiva em feminicídios, com múltiplas lesões e mutilações. Essa prática demonstra relações de poder e dominação histórica contra as mulheres, refletindo um crime com forte carga emocional e motivação de controle.

Redação Agora Pronto News(03/08/2026)
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Overkill em feminicídios: a violência extrema que ultrapassa a morte

Feminicídios no Brasil, especialmente em Mato Grosso, têm apresentado um padrão de violência que vai além da simples eliminação física das mulheres. A perícia criminal frequentemente identifica o fenômeno chamado overkill, que se caracteriza pelo uso de violência extrema e exagerada na agressão contra a vítima.

O termo overkill refere-se a situações em que a violência empregada é desproporcional ao necessário para matar. Isso se manifesta por meio de múltiplas lesões, golpes repetidos, mutilações e até desfiguração do corpo. Essas marcas indicam uma agressão com intensidade emocional intensa e simbolizam uma tentativa de apagar a identidade e a autonomia da mulher.

Do ponto de vista da medicina legal, o overkill é um importante indicativo para entender a dinâmica do crime. Ele permite avaliar a relação entre agressor e vítima, bem como o motivo da violência. Porém, é fundamental que essa análise seja feita com perspectiva de gênero, considerando o contexto social que envolve desigualdades entre homens e mulheres.

O fenômeno está intimamente ligado à violência de gênero, que se sustenta em relações históricas de poder e dominação. A prática expressa o controle sobre o corpo feminino, transformando-o em símbolo dessa desigualdade.

Na perícia, não existe um número fixo de lesões para definir o overkill. Em crimes desta natureza, é comum encontrar diversos ferimentos como cortes profundos, repetidos tiros, golpes fortes na cabeça e face, além de mutilações genitais ou em outras partes do corpo. Tais características ajudam a reconstruir como o crime ocorreu e indicam emoções como ódio, posse e desejo de destruição da vítima.

Desde pensadoras como Simone de Beauvoir, que argumentava que a mulher foi historicamente vista como “o Outro”, até estudiosas como Kate Millett e Judith Butler, que explicam o patriarcado e o gênero como construções sociais, entende-se que a violência contra a mulher não é um ato isolado, mas sim parte de um sistema estrutural.

Nesse cenário, quando um agressor desferem dezenas de golpes contra uma mulher, o objetivo muitas vezes ultrapassa o assassinato. Há a intenção de apagar sua identidade, autonomia e imagem enquanto sujeito. O overkill, assim, é a manifestação física da misoginia, mostrando a crueldade e a brutalidade dessa violência.

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