Os debates intensos entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não são novidades na mais alta instância judiciária do Brasil. Ao longo dos anos, a Corte tem visto episódios marcados por discussões acaloradas, críticas pessoais e disputas por influência dentro do tribunal.
Um dos casos recentes envolveu os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que protagonizaram uma troca ríspida de palavras na terça-feira, 1º de junho. O conflito ocorreu após Mendonça solicitar que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre um relatório da Polícia Federal que cita mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
Essa não foi a primeira vez que os dois ministros se desentenderam. Em maio de 2023, durante o julgamento que anulou o indulto concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao então deputado Daniel Silveira, Moraes e Mendonça trocaram provocações. Mendonça baseou suas argumentações em críticas públicas feitas por analistas à severidade da pena imposta pelo STF. Moraes interrompeu o colega, questionando a credibilidade das fontes e destacando vínculos partidários, o que gerou um intenso debate recheado de ironias e discordâncias.
Outro episódio tenso entre eles ocorreu em setembro de 2023, durante o julgamento dos primeiros réus ligados aos ataques extremistas do dia 8 de janeiro. Mendonça questionou a atuação do governo federal, sugerindo que a Força Nacional poderia ter sido acionada para impedir os ataques. Por sua vez, Moraes rebateu afirmando que a responsabilidade inicial cabia à Polícia Militar do Distrito Federal e considerou a sugestão de Mendonça como uma insinuação de conspiração interna, pedindo respeito. Mendonça logo respondeu para que Moraes não atribuísse palavras que ele não havia dito.
Conflitos entre ministros do STF remontam a anos anteriores. Em 2013, durante o julgamento do Mensalão, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes tiveram uma discussão acalorada sobre prescrição de crimes, com acusações indiretas de atuação política e uso de termos fortes.
Mais tarde, em 2017, outro confronto significativo ocorreu entre Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Após Gilmar acusar Barroso de agir com “mesquinharia”, Barroso respondeu com uma frase marcante que criticava fortemente a postura do colega.
Além desses episódios, o ministro Luiz Fux também destacou em 2020 a necessidade de rever a quantidade de decisões tomadas individualmente no tribunal, um posicionamento que influenciou o funcionamento do STF.
Apesar dessas divergências públicas e tensões internas, os ministros do Supremo costumam se unir quando a defesa da instituição exige, reforçando a importância da independência e do respeito à Corte diante da opinião pública e do cenário político.




