Uma parte do Supremo Tribunal Federal (STF) tem manifestado desaprovação diante da iniciativa do ministro Alexandre de Moraes de instaurar uma investigação contra o colega André Mendonça, acusando-o de abuso de autoridade. Essa atitude, anunciada em 3 de maio, causou incômodo entre vários magistrados, especialmente aqueles que apoiam Mendonça.
O grupo entende que Moraes está tentando igualar comportamentos distintos entre os ministros, identificados ao longo da apuração relacionada ao Banco Master, na tentativa de ampliar seu apoio dentro do tribunal. Para eles, essa estratégia acaba envolvendo todo o STF em uma crise interna maior.
Além disso, para esses ministros, as acusações feitas contra Mendonça não se equiparam ao suposto vínculo de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, implicado no caso. A ação de Moraes ao recorrer ao inquérito das fake news como contra-ataque também tem sido alvo de críticas, por ser considerada uma escolha controversa e polêmica, até mesmo nas gestões anteriores do STF.
Os ministros opinam que a medida tomada por Moraes acabou abrindo mais espaço para críticas externas ao tribunal e dificultou o retorno do STF à normalidade institucional. Eles acreditam que a abordagem ideal teria sido Moraes enviar um ofício ao presidente da corte solicitando providências sobre as alegações de abuso de autoridade, em vez de envolver toda a corte e outros agentes.
Nos bastidores, é relatado que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, comunicou aos colegas sobre a decisão de requisitar esclarecimentos de todos os envolvidos no caso: Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O decreto assinado por Moraes revela que relatórios da Polícia Federal indicam um possível direcionamento na produção de provas, com o intuito de atribuir falsamente crimes a membros do STF, incluindo ele mesmo, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Informações divulgadas indicam que o filho do ministro Kassio, Kevin de Carvalho Marques, recebeu R$ 281,6 mil entre 2024 e 2025 por serviços de consultoria prestados a empresas ligadas ao Banco Master. Já o filho de Luiz Fux, Rodrigo, foi convidado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para um camarote VIP na Marquês de Sapucaí durante o desfile das campeãs do Carnaval do Rio, em 2025.
No caso de Dias Toffoli, reportagens anteriores apontaram que empresas da família foram sócias em uma rede fraudulenta de fundos de investimento vinculados ao Banco Master, o que resultou num processo que culminou na saída do ministro do STF.




