O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu nesta terça-feira (22) um webinar que discutiu os desafios e as possibilidades para a prevenção do suicídio, enfatizando a importância de uma análise que vá além do campo clínico. A psiquiatra e psicoterapeuta Juliana Belo Diniz foi a palestrante convidada e defendeu uma visão que integre fatores sociais, econômicos e culturais relacionados à saúde mental.
Durante sua apresentação, Juliana Belo Diniz destacou que o sofrimento psíquico está fortemente ligado às desigualdades sociais, exclusão e várias formas de vulnerabilidade. Ela citou uma frase do psiquiatra Marcelo Veras, extraída do livro "A morte de si", que resume a reflexão: "Em um mundo repleto de injustiças, é preciso encontrar um modo de apostar na vida". Essa ideia guiou a exposição, reforçando a necessidade de considerar os vários contextos que influenciam o comportamento suicida.
Na abertura do evento, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira ressaltou a relevância de ampliar o diálogo sobre saúde mental e qualificar o debate sobre prevenção ao suicídio. Segundo ele, proteger a saúde integral da população está entre as prioridades do Ministério Público, que busca promover a cidadania e a dignidade humana.
A psiquiatra apresentou o suicídio como um fenômeno multifacetado, resultante tanto de aspectos individuais quanto sociais. Embora transtornos mentais estejam presentes em muitos casos, a especialista chamou atenção para a influência significativa das condições de vida, pobreza, discriminação e falta de perspectivas no aumento dos riscos.
Juliana Belo Diniz mostrou pesquisas nacionais e internacionais que indicam que as taxas de suicídio não são uniformes. Populações como trabalhadores rurais, indígenas, jovens vulneráveis e pessoas LGBTQIAPN+ enfrentam maior incidência do problema. Ela destacou que a exclusão estrutural e social pode aumentar a vulnerabilidade desses grupos a comportamentos suicidas.
Outro ponto abordado foi a importância das condições básicas de existência para a saúde mental. Nas comunidades mais vulneráveis, a ausência dessas condições dificulta a esperança e a crença em um futuro melhor, comprometendo a vontade de viver.
Além disso, a psiquiatra abordou o aumento dos casos de automutilação e tentativas de suicídio entre adolescentes, explicando que a questão é complexa e envolve múltiplos fatores, como questões familiares, emocionais, sociais e culturais.
Por fim, Juliana discutiu os efeitos das mudanças sociais atuais na saúde mental, destacando a necessidade de políticas públicas integradas e de maior inclusão social para prevenir o suicídio de forma eficaz em Mato Grosso.




