Em uma manhã fria e úmida na capital uruguaia, a realidade dura da violência se apresenta em um bairro modesto de Montevidéu. Cinco pessoas foram assassinadas em um ataque que, segundo a polícia, está ligado a conflitos entre grupos familiares envolvidos no tráfico há anos, refletindo a crescente onda de homicídios no país. Nos primeiros seis meses do ano, quase 200 mortes violentas foram registradas, e a taxa de homicídios na capital oscila entre 16 e 18 para cada 100 mil habitantes, números que geram inquietação entre os uruguaios.
Diante desse cenário alarmante, a insegurança virou tema central na política nacional, alimentando debates intensos, cobranças e pedidos por medidas mais rigorosas. Entretanto, especialistas como Emiliano Rojido, assessor do Ministério do Interior e especialista em políticas públicas, ressaltam que aumentar o número de prisões ou endurecer penas não oferece soluções duradouras. Segundo ele, ao contrário, essa abordagem tradicional tem falhado e agravado a situação.
Para enfrentar o desafio, o Uruguai lançou um Plano Nacional de Segurança que prevê uma estratégia para os próximos dez anos, baseada em três pilares fundamentais. O primeiro busca transformar a segurança pública em uma política de Estado que ultrapasse as gestões governamentais, garantindo continuidade e evitando decisões populistas ou meramente eleitorais.
O segundo ponto destaca a necessidade de uma abordagem multidimensional para a segurança, envolvendo não só a polícia, mas também os três poderes do Estado, ministérios, prefeituras, sociedade civil, empresas de segurança privadas, tecnologia e outras áreas. Essa visão integrada pretende distribuir responsabilidades para resultados mais efetivos e abrangentes.
Por fim, o terceiro pilar do plano enfatiza a importância do uso de evidências e dados para embasar as ações e políticas de segurança. Tradicionalmente, decisões na área foram tomadas de forma reativa ou impulsionadas pela retórica política, o que não contribui para a redução consistente da violência.
Assim, o Uruguai busca traçar um caminho diferente para enfrentar seus desafios de segurança, apostando em planejamento a longo prazo, cooperação entre múltiplos setores e políticas fundamentadas em informações concretas, na tentativa de conter o avanço do crime e garantir maior segurança para sua população.




