Na quarta-feira (29), os Estados Unidos, em conjunto com a Arábia Saudita, efetivaram ataques aéreos contra grupos paramilitares no Iraque aliados ao Irã. Esses ataques marcam a retomada das ações militares americanas no Oriente Médio após uma pausa determinada pelo presidente Donald Trump na semana anterior.
Em resposta, o Irã negou uma proposta do Omã para gerenciamento conjunto do estreito de Ormuz, além de afirmar ter realizado disparos contra embarcações na rota marítima estratégica e instalações americanas localizadas na Jordânia.
O restabelecimento das hostilidades gerou alta nos preços do petróleo, demonstrando que o conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel em fevereiro não apresenta sinais de resolução rápida.
Em Mossul, no norte do Iraque, imagens divulgadas pela emissora Al-Ahad mostraram manifestantes xiitas carregando corpos de combatentes mortos enquanto entoavam slogans contra a presença americana.
Os ataques coordenados pelas forças estadunidenses e sauditas tiveram como alvo grupos ligados ao Irã, especialmente como retaliação a ataques anteriores com drones em instalações petrolíferas da Arábia Saudita originados do território iraquiano.
As Forças de Mobilização Popular do Iraque, formadas por poderosos grupos paramilitares xiitas incorporados às forças de segurança oficial, relataram perdas consideráveis, com pelo menos 20 mortos e 32 feridos durante as investidas.
Esse foi o primeiro ofensiva aérea significativa dos EUA na região desde que a campanha militar foi suspensa abruptamente na última sexta-feira (23), ao ser considerada limitada pelos comandantes do Pentágono.
Além disso, a participação pública da Arábia Saudita nos ataques ao lado dos Estados Unidos representa uma escalada importante, ampliando o conflito e podendo envolver diretamente Riad na disputa contra as forças xiitas iranianas.
O governo iraquiano, de perfil xiita e que mantém relações diplomáticas com ambas as potências, reagiu convocando uma reunião de emergência para avaliar a situação regional.
O pedido constante de Washington para que Bagdá controle as milícias apoiadas pelo Irã tem enfrentado resistência e causado instabilidade política interna no Iraque.
A interligação religiosa e política entre Irã e Iraque foi evidenciada recentemente durante um feriado anual, quando milhares de peregrinos iranianos atravessaram a fronteira terrestre para visitar santuários no Iraque, carregando imagens do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, uma figura reverenciada pelos xiitas em ambos os países.




