Dois anos após enfrentar uma forte estiagem e inundações históricas no Sul do Brasil, o país volta a ficar em alerta devido ao fenômeno climático El Niño, que se consolidou oficialmente em junho de 2026. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há 100% de chance de que este fenômeno continue ativo até o começo de 2027.
Para o trimestre entre agosto e outubro de 2026, as projeções indicam temperaturas acima da média histórica, com chuvas intensificadas no Sul e redução de precipitações nas regiões Centro e Norte do país. Essa disparidade climática deve afetar diretamente diversos setores, como agricultura, abastecimento hídrico, geração energética e a economia em geral.
A economista Cristina Helena Pinto, professora da PUC-SP, destaca que o El Niño pode impactar a cadeia produtiva dos alimentos desde o cultivo até a comercialização, pressionando preços. Segundo ela, eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, além de prejudicar as safras, também provocam dificuldades logísticas e aumentam os custos de energia, refletindo no valor final ao consumidor.
Produtos como hortaliças e frutas são os mais vulneráveis, já que seu ciclo produtivo curto não permite estocagem eficiente, fazendo com que quebras na produção sejam rapidamente sentidas nas prateleiras. Itens básicos da alimentação, como feijão e arroz, também estão sob risco devido à concentração regional do plantio – inundações no Sul ou secas no Centro-Oeste podem desorganizar o fornecimento.
No setor de proteínas animais, o calor excessivo e as dificuldades ao cultivo de milho e soja, que compõem a ração, podem reduzir a produtividade do gado e pressionar o preço da carne. Já para culturas como café e açúcar, os danos devem aparecer em médio e longo prazo, dada a natureza dessas plantas.
Em Mato Grosso, onde a agropecuária é pilar da economia, o El Niño reforça a necessidade de estratégias para enfrentar os impactos climáticos e minimizar prejuízos financeiros, tanto para produtores quanto para consumidores.




