Desde os primórdios da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), os primeiros professores desembarcaram em Cuiabá carregando não só livros em suas malas, mas também coragem, bagagem acadêmica diversa e o compromisso com a educação em uma cidade ainda modesta e distante das grandes capitais culturais do país.
Muitos desses educadores vieram de grandes centros urbanos, enfrentando o calor intenso da região, o ritmo mais tranquilo da capital mato-grossense e o desafio de adaptar-se a uma realidade que pouco tinha a ver com seus lugares de origem. Mesmo diante dessas diferenças, eles optaram por ficar e colaborar na construção de uma universidade quase do zero.
A chegada destes professores significou a introdução de novas ideias e experiências acadêmicas, numa terra que até então carecia muito de oportunidades no ensino superior. O desafio também incluía mudar mentalidades: a universidade não deveria ser vista apenas como um posto público para empregos, mas como uma instituição que abre portas para todos, quebrando antigas tradições sociais.
Muitas vezes, houve resistência por parte da sociedade local, que preferia valorizar os nativos em detrimento daqueles que chegavam de fora. No entanto, a política adotada pela UFMT sempre foi selecionar docentes por competência, currículo e capacidade de ensino, independentemente da origem ou sobrenome.
Esse empenho e essa visão deram frutos. Em poucos anos, a universidade estabeleceu-se como uma instituição respeitada nacionalmente, com cursos considerados de excelência, como Direito, Engenharia e Medicina, reconhecidos pelas avaliações do Ministério da Educação.
Durante toda essa trajetória, a gestão da universidade manteve foco na qualidade educacional, evitando envolvimento com disputas políticas partidárias, fato que provocou também momentos conturbados, como a perda e retorno do cargo de reitor entre seus líderes.
Hoje, passados mais de cinco décadas desde a criação da UFMT, é com emoção que se escutam relatos dos professores pioneiros que chegaram de longe para ajudar a transformar Cuiabá e a região. Muitos continuaram aqui, adotando a cidade como sua casa.
Como forma de reconhecimento, lhes foram concedidos os títulos de professores fundadores, homenageando suas contribuições fundamentais.
Atualmente, sob a gestão da reitora professora doutora Marluce, há um esforço para preservar e valorizar essa história. Um dos primeiros atos da sua administração foi impulsionar o Projeto Memória, incluindo a inauguração da placa da Sala de Parto, antiga sede da primeira reitoria da universidade, local quase desconhecido por muitos.
Esses docentes que chegaram com sonhos e conhecimento deixaram de ser apenas visitantes para tornar-se parte definitiva da história de Cuiabá e da UFMT. Seu legado permanece vivo, inspirando gerações e fixando sua importância no desenvolvimento educacional de Mato Grosso.




