Um jovem de 29 anos que trabalhava no Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, denuncia ter vivido uma situação de homofobia no local de trabalho e alega que foi dispensado da empresa responsável pela prestação de serviços após registrar a ocorrência.
Ele era funcionário da Kadeas Restaurante e foi desligado com a justificativa oficial de baixo rendimento. Porém, o rapaz contesta essa versão, dizendo que frequentemente realizava tarefas que iam além da sua função, especialmente durante o período em que o quadro de funcionários estava reduzido, como no recesso dos alunos.
De acordo com o relato, o incidente aconteceu no dia 31 de julho, no final do expediente. Ele percebeu que um colega mexia em seu armário depois de ter saído do banheiro. Ao confrontar o funcionário, foi alvo de xingamentos com teor homofóbico. O jovem procurou o RH da empresa, solicitou as imagens das câmeras de segurança e confirmou que o armário foi realmente violado.
Como consequência, o agressor recebeu uma suspensão remunerada de 10 dias. Logo após, o ex-funcionário registrou um boletim de ocorrência por injúria em razão das ofensas relacionadas à sua orientação sexual.
Cinco dias após o ocorrido, a gerência do RU reativou o funcionário e promoveu uma palestra sobre discriminação com foco na homofobia. No entanto, durante o evento, pediram que ele explicasse as letras da sigla LGBT, o que o deixou desconfortável, pois percebeu que o tema surgiu diretamente da sua denúncia.
No dia seguinte à palestra, ele foi comunicado de sua demissão, com a justificativa oficial de baixo desempenho. O ex-funcionário, porém, esclarece que realizava diversas tarefas extrafuncionais — como limpar a calçada e as fachadas de vidro do RU — que não se encaixam na alegação da gerência.
Ele acredita que a demissão foi uma retaliação direta pela denúncia de homofobia, destacando a sequência dos fatos: ocorrência, suspensão do colega, palestra e desligamento. Atualmente, o ex-empregado já deu início a um processo judicial para investigar a situação.
A reportagem tentou contato com a gerência da Kadeas Restaurante para obter uma posição oficial, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.




