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El Niño intenso pode atrasar plantio de soja e afetar milho no Centro-Oeste

A chegada de um El Niño forte preocupa produtores do Centro-Oeste, que enfrentam risco de atraso no plantio da soja devido ao calor e chuvas irregulares. Esse atraso encurta a janela segura para a semeadura do milho segunda safra, afetando toda a safra 2026/27.

Redação Agora Pronto News(12/08/2026)
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El Niño intenso pode atrasar plantio de soja e afetar milho no Centro-Oeste

Com a confirmação de um El Niño de forte intensidade para os próximos meses, agricultores do Centro-Oeste se veem diante de um desafio importante para a safra 2026/27: o momento certo para iniciar o plantio da soja. O fenômeno climático, já registrado no Oceano Pacífico, deve manter-se ativo até o início de 2027, com probabilidade estimada em 97% pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

No Centro-Oeste, que abrange estados como Mato Grosso e Goiás, o principal impacto do El Niño não está na quantidade total de chuvas, mas na distribuição irregular das precipitações combinada a temperaturas acima da média. Isso pode fazer com que os produtores plantem após chuvas isoladas, com risco de o solo voltar a secar e comprometer a emergência das plantas, elevando a chance de falhas na lavoura e a necessidade de replantio.

Além disso, o atraso da soja interfere diretamente na programação do milho segunda safra (safrinha), já que a janela considerada segura para o plantio do milho fica reduzida. A colheita tardia da soja empurra o cultivo do milho para meses com menor disponibilidade de chuva, aumentando os riscos climáticos e os custos operacionais, como o uso de sementes, defensivos, combustível e a contratação de serviços.

No Sul do país, o El Niño geralmente provoca aumento das chuvas, o que pode dificultar o trabalho no campo. Chuvas frequentes atrasam a semeadura, complicam a colheita das culturas de inverno e impedem a entrada de máquinas nas áreas agrícolas. O excesso de umidade também contribui para o surgimento de doenças fúngicas, exigindo mais aplicações de defensivos, além do risco aumentado de danos causados por tempestades, granizo e ventos fortes.

Para a região do Matopiba, composta por partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o cuidado será com o início e a regularidade das chuvas. O El Niño tende a reduzir as precipitações no norte do Brasil, o que pode atrasar o plantio e limitar a umidade necessária para o desenvolvimento inicial das lavouras.

No Sudeste, o calor intenso e as chuvas irregulares impactam principalmente culturas perenes, como o café e a cana-de-açúcar. No café, a combinação de altas temperaturas e falta de água após a floração aumenta o risco de abortamento e queda na formação dos frutos. Já na cana, períodos secos prolongados dificultam o desenvolvimento das áreas recém-plantadas.

Portanto, o fenômeno climático El Niño deve ser acompanhado de perto pelos produtores, que precisam ajustar suas estratégias para minimizar os riscos e garantir o sucesso da safra 2026/27 em diferentes regiões do Brasil.

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