A Suinobrás Alimentos, empresa cuja propriedade inclui Reinaldo Morais, amplamente conhecido no meio empresarial como "Rei do Porco", carrega um passivo expressivo de irregularidades ambientais que se estendem por quase uma década. Desde 2016, a granja localizada em Diamantino, município a 183 quilômetros da capital mato-grossense, acumula notificações oficiais, restrições operacionais e documentações que indicam falhas recorrentes nos processos de tratamento de resíduos líquidos.
O Ministério Público Estadual utiliza esse histórico como base central na ação civil pública que protocolou em outubro de 2023 contra a empresa. Segundo o órgão, os documentos elaborados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e pela Politec fundamentam a conclusão de que a Suinobrás atua de forma reincidente em operações que prejudicam significativamente o meio ambiente.
A cronologia registrada nos arquivos processuais revela que os problemas não constituem casos isolados, mas sim um padrão de infrações que se repetiu regularmente. Autuações oficiais foram lavradas nos anos de 2016, 2018, 2019 e 2020, acompanhadas por determinações que ordenavam a paralisação total ou parcial das atividades produtivas.
O primeiro incidente documentado ocorreu em abril de 2016, quando foi emitido o Termo de Embargo e Interdição, suspendendo todas as operações naquele período. Dois anos após essa primeira interdição, agentes da Sema detectaram em 2018 o vazamento direto de efluentes das lagoas de contenção sem qualquer processamento. Este achado resultou na lavra do Auto de Infração número 6477, registrado formalmente em agosto de 2018.
Durante o ano de 2019, as fiscalizações ambientais intensificaram-se. Em março daquele ano, técnicos constataram novamente problemas graves no sistema de tratamento, gerando dois documentos de infração no mesmo dia. A medida administrativa que se seguiu foi ainda mais rigorosa: um novo embargo e interdição que previa a redução gradual das atividades da granja, iniciando-se pela proibição de reposição de suínos necessários para manter o ciclo produtivo. Após dias, uma segunda vistoria foi realizada para monitorar o cumprimento das determinações.
Atualmente, Reinaldo Morais integra a chapa política encabeçada pelo pré-candidato Wellington Fagundes, do Partido Liberal (PL), como candidato ao cargo de vice-governador. O acúmulo de multas ambientais e processos administrativos pendentes continua sendo acompanhado pelo Ministério Público, que mantém ativa a ação civil pública iniciada em 2023, buscando responsabilizar a empresa pelos danos causados ao meio ambiente em Diamantino.




