O Supremo Tribunal Federal (STF) passa por uma visibilidade sem precedentes, resultado da expansão das redes sociais e da judicialização da política, que o colocaram no epicentro dos debates públicos. Diferentemente do passado, quando o Judiciário mantinha uma certa distância das atenções populares, hoje suas decisões e ações são acompanhadas de perto por toda a sociedade.
No entanto, para a maior parte das pessoas, o STF ainda é uma instituição distante. Questões cotidianas, como disputas trabalhistas, pensões, problemas previdenciários e disputas comerciais, geralmente são resolvidas nas primeiras instâncias do Judiciário ou em tribunais regionais, sem que precisem chegar ao Supremo.
Por isso, é importante relativizar a ideia de que cada decisão no STF afeta diretamente milhões de brasileiros no dia a dia. As grandes controvérsias que chegam ao tribunal envolvem principalmente estruturas políticas e econômicas poderosas, como partidos, o próprio governo, o Congresso Nacional, grandes corporações e grupos organizados.
Com a polarização política, os ministros do STF passaram a ser utilizados como personagens na disputa eleitoral, com críticas, acusações de abusos ou decisões controversas transformadas em ferramentas para mobilizar a população. Essa instrumentalização da indignação com o Judiciário tem servido de combustível para campanhas políticas.
Porém, não se pode colocar toda a culpa nos políticos. Também há responsabilidade do próprio Judiciário quando magistrados assumem papéis políticos, fazem posicionamentos partidários, interferem no processo eleitoral ou vazam informações judicialmente sigilosas em momentos estratégicos. Isso gera dúvidas sobre a linha que separa a Justiça da política.
O filósofo Montesquieu já apontava que a liberdade política depende do equilíbrio entre os poderes, que devem se controlar mutuamente. O problema surge exatamente quando uma mesma instituição tenta ser ao mesmo tempo árbitro, protagonista e parte na disputa política.




