Uma decisão do desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues coloca o prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes (União), no centro de investigações sobre irregularidades em contratações municipais. Segundo o magistrado, o gestor é responsável por autorizar e ratificar despesas viciadas que somam aproximadamente R$ 29 milhões.
A operação do Naco (Núcleo de Competências Originárias), órgão do Ministério Público Estadual, identificou diversas irregularidades na execução desses contratos. Entre as principais descobertas estão o desvio de quase 70 mil litros de combustível para abastecer veículos particulares sem qualquer ligação com a administração municipal, além de pagamentos por locação de veículos que não existem.
O prefeito subscreveu quatro contratos específicos - números 091/2024, 010/2024, 006/2024 e 113/2024 - todos baseados em adesões a atas de registro de preços consideradas irregulares. Como ordenador de despesas e autoridade máxima da hierarquia municipal, sua assinatura foi fundamental para que essas transações ocorressem.
Conforme explicou o desembargador em sua decisão, Alexandre Lopes pode ter utilizado sua posição de comando para permitir que o esquema fraudulento funcionasse sem obstáculos. O magistrado destaca que o prefeito teria omitido deliberadamente seu dever de vigilância ao aprovar despesas manifestamente abusivas, como abastecimento de veículos privados e pagamentos por bens inexistentes.
A investigação revela que o esquema operava através de uma divisão clara de tarefas: um núcleo político-administrativo - liderado pelo prefeito - e um núcleo empresarial que executava as irregularidades. Essa estrutura permitiu que as fraudes permanecessem camufladas nos registros oficiais da prefeitura.
A Operação Gomorra deflagrou sua segunda fase na última quarta-feira (1º), quando foram realizadas buscas e apreensões de documentos e dispositivos eletrônicos. Os investigadores acreditam que a análise desses materiais será fundamental para confirmar a responsabilidade de Alexandre Lopes no esquema.
Além do prefeito, a administração municipal está sob escrutínio em relação a outros servidores. O secretário de Obras, Rubens Anunciação Júnior, e a servidora Olivete Gardi também são citados nas apurações como envolvidos nas irregularidades.
O caso reforça a importância da fiscalização contínua sobre os gastos públicos municipais e da atuação do Ministério Público no combate à corrupção e ao desvio de recursos que deveriam beneficiar a população de Campo Verde.




