Na atual pré-campanha eleitoral em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas adota uma estratégia que sinaliza certa distância do senador Flávio Bolsonaro. Segundo fontes próximas ao governo estadual, Tarcísio pretende restringir ao máximo sua participação em eventos públicos ao lado de Flávio, especialmente na capital e Região Metropolitana de São Paulo.
Essa decisão está relacionada ao alto índice de rejeição que o senador registra regionalmente, o que poderia afetar negativamente o desempenho da reeleição de Tarcísio. A preferência é que a convivência política entre os dois ocorra principalmente no interior do estado, buscando minimizar impactos eleitorais.
Nos bastidores, essa postura também atribui influência ao deputado Gilberto Kassab no Palácio dos Bandeirantes, que orientaria uma tática mais cuidadosa na exposição pública conjunta.
Esse cenário relembra o fenômeno conhecido no meio político brasileiro como “cristianização”, termo que tem origem na eleição presidencial de 1950, quando Cristiano Machado, candidato do PSD, foi abandonado na prática pelos líderes do próprio partido, que apoiavam Getúlio Vargas sem abrir mão do candidato oficial.
Desde então, “cristianizar” um candidato significa que ele mantém o apoio formal dos correligionários, porém perde o respaldo efetivo deles na campanha, com aliados optando discretamente por outro concorrente mais viável.
O paralelismo com a situação atual em São Paulo exemplifica como alianças políticas podem ser preservadas publicamente, enquanto estratégias eleitorais buscam minimizar riscos diante de candidatos com alta rejeição.
Com a aproximação das eleições, essa dinâmica deve continuar sendo monitorada, já que terá impacto direto nas chances eleitorais de Tarcísio de Freitas e no posicionamento político do senador Flávio Bolsonaro no estado mais populoso do país.




