Em evento realizado nesta sexta-feira (18) com forças de segurança no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a postura do governo dos Estados Unidos sobre as facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que vêm sendo apontadas pelos americanos como organizações terroristas.
Lula contestou essa classificação e ressaltou que o terrorismo mencionado pelo ex-presidente americano Donald Trump estaria ligado a uma 'intenção de golpe' no Brasil, fazendo referência à tentativa de golpe de Estado perpetrada durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2023.
"Nós precisamos combater o crime organizado com firmeza, mas não aceito essa narrativa de que essas facções são terroristas, como dizem lá fora", afirmou o presidente. "Quando Trump fala de terrorismo, ele está se referindo a terrorismo de Estado e à disputa pelo poder. Quem fez isso no Brasil? Foi Bolsonaro, na tentativa de golpe em 8 de janeiro", acrescentou.
A declaração de Lula ocorre em meio a uma determinação presidencial assinada por Donald Trump que foi encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos, na qual o Brasil é criticado por uma suposta falha em enfrentar essas organizações criminosas. No documento, o PCC e o CV são denunciados como entidades que utilizam o país como rota para o tráfico global de cocaína, e pede uma postura mais dura por parte do governo brasileiro.
O texto oficial do governo americano afirma que "o Brasil precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentar e derrotar essas organizações antes que aumentem sua influência e atividade ilegal".
Essa divergência entre Brasil e Estados Unidos reforça as tensões diplomáticas em torno da política de segurança pública e combate ao crime organizado na América do Sul.




