O suplente de deputado estadual e candidatado à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Hugo Henrique Garcia (PSDB), informou à Justiça Eleitoral um patrimônio total de R$ 9.498.340,34 para concorrer nas eleições deste ano. Ex-presidente do Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT), ele está entre os investigados na Operação Mandato Espúrio, deflagrada nesta terça-feira (25) pela Polícia Civil para apurar movimentações financeiras irregulares acima de R$ 1 milhão na entidade.
Segundo os dados apresentados por Hugo na plataforma DivulgaCand, ele possui 40 bens, principalmente maquinários e equipamentos agrícolas. O destaque é um trator Case do Brasil avaliado em R$ 1,7 milhão, seguido por uma plantadeira Gran Prime, da Kuhn, com valor de R$ 1,26 milhão.
Além dos equipamentos, consta um apartamento de 193 metros quadrados em Cuiabá avaliado em R$ 613,4 mil, uma caminhonete Chevrolet S10 e um quadriciclo Can-Am. Também foram declarados equipamentos para tratamento e classificação de sementes, pulverizadores, balanças, distribuidores de insumos e outros implementos do setor agrícola.
Entre os bens financeiros, Hugo declarou R$ 50 mil referentes a 100% do capital de uma empresa agropecuária, R$ 40 mil correspondendo a metade das cotas de uma empresa de empreendimentos imobiliários e aproximadamente R$ 101 mil depositados em uma conta no Sicoob.
Hugo Garcia tenta novamente uma vaga como deputado estadual. Na eleição de 2022, quando pertencia ao Republicanos, ele ficou como suplente e chegou a assumir temporariamente uma cadeira na Assembleia Legislativa em setembro de 2024.
No âmbito da investigação, Hugo e o ex-diretor do Imafir, Afrânio Migliari, são suspeitos de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica, conforme apura a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá. As irregularidades investigadas indicam transferência de quase R$ 774 mil para contas pessoais e de uma empresa ligada ao ex-diretor-executivo, além de mais de R$ 270 mil encaminhados para um escritório de advocacia.
Dentre os bens recolhidos durante a operação estão relógios de luxo da marca Rolex, que pertenciam a Hugo Garcia.
Dados apontam que as ações financeiras suspeitas aconteceram em meio a disputas internas pelo controle do Imafir e mesmo após ordens judiciais proibindo atos de gestão pela entidade.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal em Cuiabá. A Justiça também autorizou o bloqueio de contas e o bloqueio de acessos bancários usados para movimentar os recursos do instituto.
Documentos, computadores, celulares e registros contábeis foram apreendidos para análise e perícia. A Polícia Civil pretende esclarecer os contratos e autorizações assim como os recursos envolvidos nas movimentações investigadas.




