Mato Grosso acompanhou nesta terça-feira (18) o primeiro encontro entre os principais candidatos ao cargo de governador do estado, evento marcado por trocas de acusações e desacordos sobre prioridades da administração pública.
Um dos pontos mais polêmicos do evento envolveu o senador Wellington Fagundes (PL) e o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) em discussão sobre o atendimento a crianças neurodivergentes. Pivetta indagou Wellington sobre quais medidas seu governo implementaria para garantir a inclusão de meninos e meninas com transtorno do espectro autista nas escolas mato-grossenses.
Na sua resposta, Wellington desviou o tema para questões de saúde mental e saúde pública em geral. Mencionou o Hospital Adauto Botelho e focou sua fala em problemas relacionados ao uso de drogas e aos transtornos psicológicos que se intensificaram após a pandemia. Destacou a necessidade de enfrentar essas questões com rigor técnico e científico.
Pivetta interrompeu imediatamente para corrigir o rumo da conversa. O governador enfatizou que a pergunta tratava especificamente de crianças neurodivergentes e de políticas de inclusão, não de outras demandas de saúde. Aproveitou para mencionar que possui neto diagnosticado com autismo, relatando como essa experiência pessoal o permitiu compreender melhor as dificuldades enfrentadas por famílias com crianças nessa condição.
Wellington revidou a crítica alegando que a atual gestão teria tentado reduzir investimentos nas Apaes (Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais), movimento que disse ter sido impedido pelo Congresso Nacional. Pivetta defendeu a atuação de seu governo, citando reformas realizadas nas instituições de saúde mental estaduais e ampliação das ações voltadas à inclusão da população neurodivergente.
O debate também passou por outras frentes de confronto. Wellington questionou Pivetta sobre o combate ao garimpo ilegal, formulando acusações contra a administração estadual e contra pessoas próximas ao governador envolvidas na política. Pivetta rebateu veementemente, afirmando que o senador estava "faltando com a verdade" e reafirmou o empenho das forças de segurança estaduais e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente no enfrentamento à mineração clandestina.
Wellington continuou seu ataque argumentando que a mineração deveria ser formalizada como fonte de receita para o estado, culpando aquilo que chamou de "panelinha governamental" pelos problemas existentes no setor.
A candidata Natasha Slhessarenko (PSD) também contribuiu para o clima de tensão, especialmente quando criticou Pivetta sobre as condições das estradas estaduais. Apontou trechos específicos que considera em situação deplorável. Pivetta retrucou citando investimentos em aproximadamente sete mil quilômetros de malha rodoviária estadual e as obras de duplicação da BR-163 como exemplos do compromisso de seu governo com a infraestrutura regional.




