O ex-ministro da Agricultura e ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PP), manifestou forte crítica aos elevados gastos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (10). Para Maggi, sem um ajuste fiscal profundo e eficiente, não será possível uma redução consistente nas taxas de juros no país.
Durante participação em evento promovido por um grande banco, o empresário do agronegócio e ex-senador ressaltou a importância do controle das despesas públicas para criar condições favoráveis à diminuição dos juros. "Se o governo atual continuar gastando no ritmo que está, não haverá espaço para a queda dos juros", afirmou à CNN Brasil.
Atualmente, a taxa básica de juros Selic está fixada em 14% ao ano, índice que, segundo especialistas, dificulta o acesso ao crédito, reduz investimentos e pressiona as contas públicas.
Maggi destacou que um verdadeiro ajuste fiscal deve equilibrar rigorosamente a arrecadação e os gastos governamentais. "É necessário um esforço grande e verdadeiro para colocar as contas públicas em ordem", reforçou, demonstrando dúvidas sobre a disposição do governo Lula para implementar tais medidas.
"Não sei se essa equipe tomará as decisões necessárias, mas sem isso a redução dos juros será improvável", acrescentou.
Blairo Maggi possui uma longa relação política com o presidente Lula, tendo apoiado o petista nas eleições de 2002 no segundo turno. O ex-governador também é reconhecido como uma liderança influente no agronegócio, com participação nas indicações para o Ministério da Agricultura em governos recentes.
Na última semana, Eraí Maggi, primo de Blairo, participou de um jantar no Palácio da Alvorada com o presidente Lula e representantes de diversos setores, incluindo o agronegócio. Neste encontro, empresários reiteraram a necessidade do equilíbrio fiscal para permitir a redução da taxa Selic.
A preocupação com os gastos públicos e o impacto sobre os juros também foi tema frequente nas declarações do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), que defende maior rigor no controle das despesas.




