Um levantamento realizado pela Indexa Pesquisas, encomendado pelo Broadcast, mostra que propostas de reajuste do salário mínimo acima da inflação podem atrair o voto de 49% dos eleitores. Por outro lado, 40% afirmaram que essa proposta não influenciaria sua decisão eleitoral, enquanto apenas 4% estariam menos inclinados a apoiar o candidato que a defendesse.
O CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, explica que o impacto do salário mínimo é mais abrangente do que benefícios sociais como o Bolsa Família. Isso ocorre porque o reajuste afeta não só quem recebe o piso nacional, mas também trabalhadores com salários vinculados ao mínimo, além de aposentados e pensionistas.
"Qualquer aumento real interfere diretamente no trabalhador que recebe o salário mínimo ou tem seu salário atrelado a ele. Mesmo sem essa ligação, o reajuste pressiona ajustes salariais mais amplos", avaliou Freres.
Ele também relaciona o apelo da proposta à crescente percepção de perda do poder de compra diante do aumento dos preços dos alimentos e do custo de vida. Pesquisas qualitativas e quantitativas indicam que muitas pessoas, embora empregadas, enfrentam dificuldades para cobrir despesas cotidianas.
Ao separar os resultados por renda familiar, verifica-se maior influência da proposta entre domicílios que ganham entre um e dois salários mínimos, onde 54% dos entrevistados estariam mais propensos a votar em quem defendesse o reajuste real do mínimo. Entre famílias com renda de dois a cinco salários mínimos, há equilíbrio entre os que se sentem influenciados e os que não.
Curiosamente, quem tem renda superior a cinco salários mínimos também demonstra interesse na proposta: 51% afirmam que isso aumentaria sua disposição de voto.
Quanto à faixa etária, a proposta é mais atrativa para os jovens. Entre 16 e 24 anos, 56% dos entrevistados afirmaram que a proposta os incentivaria a votar nesse candidato. Essa porcentagem diminui gradualmente nas faixas de idade superiores, chegando a 44% entre os maiores de 60 anos.
Os resultados também refletem a tendência dos votos no segundo turno de 2022. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 53% seriam mais inclinados a votar em candidatos com propostas de aumento real do mínimo, enquanto 36% não mudariam sua decisão. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), 44% se sentiriam atraídos pela medida contra 45% indiferentes.
Além disso, a proposta teria impacto em 52% dos entrevistados que não votaram, votaram em branco ou anularam votos na última eleição, mostrando o potencial de mobilização desse segmento.




