O chefe do Executivo de Cuiabá, Abilio Brunini, reiterou seu plano de se afastar temporariamente da Prefeitura durante o período de campanha eleitoral para intensificar o apoio à candidatura de sua esposa, a vereadora Samantha Iris, que concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Em conversa com a imprensa, o prefeito explicou que a licença deve durar entre 15 e 20 dias, concentrada nos momentos mais críticos da campanha. Segundo ele, essa medida se justifica pela necessidade de percorrer o Estado ao lado de Samantha, reforçando sua candidatura. Brunini salientou que buscará compatibilizar suas funções administrativas com o envolvimento político, mas reconheceu que pode ser impossível conciliar ambas as atividades sem prejudicar o município.
A questão sucessória leva a um cenário peculiar. De acordo com a linha de precedência, a primeira indicada para assumir seria a vice-prefeita Vânia Rosa, do MDB. Porém, a legislação eleitoral estabelece que qualquer pessoa que ocupar cargo executivo durante o período de campanha fica inelegível para disputar as eleições do ano. Diante disso, Vânia terá de escolher entre assumir temporariamente a Prefeitura ou preservar sua candidatura a deputada estadual.
Conforme os indicadores políticos atuais, a tendência é que Vânia abra mão do direito de assumir o cargo. Caso isso ocorra, a liderança da administração municipal recairá sobre Paula Calil, que atualmente preside a Câmara de Vereadores de Cuiabá.
O cenário reflete uma deterioração no relacionamento entre Abilio e sua vice. Ao longo do último ano, os dois divergiram publicamente sobre assuntos administrativos e questões do contexto político estadual. Brunini proferiu críticas contundentes à sua companheira de chapa, afirmando que ela deixou de representar os princípios que motivaram sua seleção quando da eleição de 2024.
O prefeito destacou que Vânia, ex-policial militar filiada ao Novo quando candidata, migrou para o MDB, agremiação liderada pela deputada Janaina Riva, uma adversária política de Brunini. Ele chegou a declarar que, caso tivesse conhecimento prévio dessa vinculação, não teria escolhido Vânia como sua vice. O chefe do Executivo também criticou posicionamentos dela contrários a políticas que considera importantes, exemplificando com questões relacionadas ao direito ao porte de armas para mulheres.
Apesar das desavenças, Abilio manifestou confiança na capacidade de Paula Calil para exercer a gestão durante seu afastamento, ressaltando que a máquina administrativa funcionará adequadamente sob sua condução.




