Na tarde desta segunda-feira (10), o professor do curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, que está afastado de suas funções, teve sua prisão preventiva decretada e cumprida em Várzea Grande. A medida foi tomada após ele desrespeitar medidas cautelares impostas pela Justiça estadual em decorrência de denúncias de assédio feitas por uma estudante de 20 anos.
A prisão aconteceu no bairro Marajoara e faz parte da Operação Mulheres Seguras 2026, que visa combater atos de violência contra mulheres na região. De acordo com o inquérito policial, a estudante sofre importunação sexual e perseguição desde o início do semestre letivo, em fevereiro deste ano.
Além disso, Saulo já possui condenação anterior envolvendo perseguição à ex-companheira em situação de violência doméstica. Conforme relatado no boletim de ocorrência, ele foi encontrado em via pública, identificado pelas autoridades e recebeu voz de prisão após confirmação do mandado preventivo assinado pela juíza Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá.
O uso de algemas foi necessário durante a prisão para garantir a segurança dos policiais e do próprio detido. O fundamento jurídico para a prisão está nos artigos 282, § 4º, e 312, § 1º, do Código de Processo Penal, devido ao descumprimento de restrições como manter distância mínima de 500 metros da vítima e seus familiares, não fazer contato por qualquer meio e evitar frequentar locais relacionados à estudante.
Após a detenção, Saulo foi inicialmente levado à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá e posteriormente transferido para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), onde permanecerá à disposição da Justiça. A 14ª Vara Criminal da capital foi definida para conduzir o processo e julgamento, com supervisão do Juízo das Garantias.
O caso ganhou atenção após a vítima denunciar o comportamento abusivo do professor, que inicialmente mantinha relação apenas acadêmica com a aluna. Segundo relatos, o docente oferecia caronas excessivamente, convidava a estudante para sair ou tomar vinho e demonstrava um tratamento diferenciado em sala de aula.
Em um dos episódios mais graves, durante uma aula, ele teria tocado a perna da aluna por cerca de cinco segundos sem consentimento, seguido do envio de uma mensagem: "Você fica bem de vermelho." Em outro momento, durante uma palestra, colocou a mão na lombar da estudante ao tirarem uma foto, chegando perto das nádegas. O ato foi presenciado por colegas que se manifestaram contra o comportamento inadequado do professor.




