A pastora Orminda Carlos de Barcelos está suspeita de atuar no comércio ilegal de armas para uma organização criminosa em Mato Grosso. Conforme apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE), ela atuava como intermediária entre líderes da facção presos na Penitenciária Central do Estado (PCE) e membros do grupo que estão em liberdade.
Conhecida como “mãe” entre os detentos, Orminda utilizava sua influência e participação no projeto religioso “Resgatando Vidas” para facilitar a comunicação, guardar dinheiro e promover entregas de itens ilícitos. A denúncia resultou da Operação Fariseus, uma investigação que busca desarticular o apoio logístico, financeiro e comunicacional que a facção recebia da família da missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, filha da pastora.
Em julho, Orminda e seu marido, o pastor Nivaldo de Almeida, foram alvos de buscas e apreensões, enquanto Rhavenna foi presa. Nivaldo faleceu recentemente.
Documentos anexados ao processo revelam mensagens trocadas entre Orminda e membros da facção, onde ela é tratada como “mãe” e recebe pedidos para guardar dinheiro em espécie e coordenar entregas. Relatórios da Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (Draco/GCCO) indicam que a pastora também estava diretamente envolvida no tráfico de armas; em uma mensagem, ela relata que iria buscar uma arma para venda em um sítio.
Imagens juntadas pela polícia mostram Orminda na companhia de armamentos, enquanto textos trocados com a filha revelam seu conflito interno ao desabafar sobre viver uma “vida de aparência” e manifestar que pretende tomar uma “decisão forte” para mudar essa situação. Em resposta, Rhavenna afirma: “Somos uma família suja”.
A in-vestigação ainda destaca que Orminda servia de ponte entre Rhavenna e Renildo Silva Rios, conhecido como “Veio” ou “Chapa”, um dos líderes do grupo criminoso que cumpre pena de mais de 76 anos em presídio de Mato Grosso.
Essa atuação da pastora expõe a complexidade das ligações entre família, fé e crime organizado, alertando para o uso indevido de projetos sociais e religiosos como fachada para atividades ilícitas na região.




