A comarca de Cuiabá determinou nesta segunda-feira (6) o levantamento do sigilo processual da ação penal contra o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, autorizando a participação de público durante sua sessão de julgamento. A decisão foi proferida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal da capital mato-grossense.
A data do juri sofreu alteração: de terça-feira (7) foi transferida para 21 de julho de 2026, com início marcado para as 9 horas da manhã. Carlos Alberto, filho do antigo deputado federal Carlos Bezerra e popularmente conhecido como Carlinhos, responde como réu confesso pelos crimes de feminicídio e homicídio cometidos em janeiro de 2023.
As vítimas foram identificadas como Thays Machado, de 44 anos, servidora do Tribunal de Justiça local, e Willian César Moreno, de 30 anos, empresário paulista. Ambos foram assassinados a tiros no dia 18 de janeiro, no bairro Consil, em frente ao Edifício Solar Monet. O crime ocorreu quando o casal aguardava transporte para sair de um condomínio residencial.
Segundo investigações, Thays sofreu três disparos, dois nas costas e um no quadril. Willian foi atingido no braço esquerdo e no peito, falecendo na calçada próximo à vítima. Os dois foram surpreendidos por um disparo realizado do interior de um veículo Renault Kwid.
Ao avaliar o pedido do Ministério Público Estadual, a magistrada considerou inexistir riscos à privacidade das vítimas ou de terceiros que justificassem manter o sigilo. A juíza ressaltou que a transparência dos atos processuais constitui princípio constitucional, destacando ainda que o próprio órgão acusador, após diálogo com os familiares das vítimas, apoiou a abertura da sessão.
Contudo, a abertura ao público segue acompanhada de limitações quanto à cobertura mediática. A transmissão de imagens fica restrita exclusivamente aos profissionais da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Equipes de televisão e demais veículos de comunicação não poderão adentrar o plenário para fins de cobertura.
Permanece vedada também qualquer captação ou divulgação de material visual que permita identificar tanto o acusado quanto os jurados que participarão do julgamento. O público geral, porém, poderá acompanhar livremente os trabalhos do tribunal.
Carlos Alberto foi pronunciado em maio de 2023 pelos crimes de duplo homicídio qualificado, considerando circunstâncias como motivo torpe, execução cruel e perigo comum. Atualmente permanece sob custódia do sistema penitenciário.




