A estudante e modelo Stephany Leal compartilhou nas redes sociais nesta sexta-feira (14) seu posicionamento sobre a condenação do ex-namorado, o empresário Alexandre Franzner Pisetta. A Justiça o sentenciou a 11 anos e três meses de cadeia em regime fechado pelos crimes de estupro e perseguição praticados contra ela.
Embora Stephany tenha ressalvado sua discordância quanto ao tempo da pena, considerou a decisão judicial como significativa para todas as mulheres vítimas de violência. "Sabemos que, em quatro anos, estará na rua, mas, em um estado onde a grande maioria dos homens é solto na audiência de custódia, é uma vitória para nós, mulheres!", afirmou ela em seus pronunciamentos nas mídias sociais.
A sentença foi prolatada na quinta-feira (13) pela juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, responsável pela 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá. Além da pena privativa de liberdade, a magistrada condenou o empresário ao pagamento de indenização no valor de R$ 15 mil. O juizado também negou o direito de recorrer em liberdade, mantendo a prisão preventiva. Pisetta encontra-se encarcerado desde dezembro do ano anterior.
Durante suas manifestações, Stephany recordou os momentos de incerteza enquanto aguardava o desfecho processual. Ela mencionou ter recebido relatos de outra mulher, cujo nome foi mantido em sigilo, descrevendo situações análogas envolvendo o mesmo agressor. Esse contato a fez compreender melhor que a responsabilidade pelos crimes não recaía sobre as vítimas, mas exclusivamente sobre o perpetrador.
"Eu não imaginava que isso tinha acontecido, eu não imaginava que essa outra menina tivesse passado por essas coisas. E eu ficava na minha cabeça pensando: 'Não, o problema sou eu'. Hoje eu entendo que não, que o problema nunca foi sobre mim. Sempre foi sobre ele, sobre as atitudes dele e sobre o que ele faz", revelou Stephany.
A modelo também criticou a prática de culpabilizar vítimas, questionando por que mulheres que tiveram contato com o agressor seriam automaticamente responsáveis. Mediante os depoimentos colhidos, Stephany identificou um padrão repetitivo de comportamento abusivo adotado pelo empresário de 43 anos, que utilizava intimidação como mecanismo de controle sobre as mulheres que o cercavam.
Stephany finalizou suas colocações enfatizando que a condenação não apenas representava uma vitória pessoal, mas um reconhecimento judicial da violência perpetrada, oferecendo esperança e validação para outras mulheres que enfrentam situações similares de abuso e perseguição.




