Histórias de terror e sofrimento marcam o cotidiano de crianças e adolescentes em Mato Grosso. Na região metropolitana, investigações revelam um padrão preocupante de abuso sexual infantil, onde os agressores exploram a proximidade familiar para cometer crimes contra os mais vulneráveis.
Uma mãe de Várzea Grande vivenciou o pesadelo de descobrir que sua filha de apenas três anos estava sendo abusada sexualmente. Ao confrontar o suspeito, ela soube que havia sido vítima do mesmo homem durante sua infância. O ciclo de violência atravessa gerações, deixando feridas profundas nas vítimas e suas famílias.
Em Cuiabá, outra família enfrentou situação semelhante. Uma adolescente revelou a uma psicóloga que vinha sofrendo abuso desde 2021 por parte do ex-padrasto. Segundo registros policiais, o homem utilizava intimidação física durante as agressões, impedindo que a menina pedisse ajuda.
Os números são alarmantes. De acordo com o delegado titular da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), Ramiro Mathias Ribeiro Queiroz, entre 80% e 90% dos casos de estupro de vulnerável registrados na unidade envolvem meninas entre oito e 12 anos de idade.
Os casos documentados revelam uma característica comum: o agressor é frequentemente alguém próximo à vítima. Padrastos, tios, avós, vizinhos e amigos da família aproveitam-se da confiança depositada neles para cometer abuso. As crianças são silenciadas através de ameaças contra seus familiares.
Um menino de sete anos relatou à mãe, durante o banho, que vinha sendo abusado por um vizinho. Em outro caso, uma avó descobriu que seu neto de seis anos sofria abuso do próprio marido. Uma menina de oito anos foi atraída para a casa do tio sob o pretexto de brincar com os primos, mas enfrentou o agressor sozinha.
A delegacia também investiga o caso de uma adolescente venezuelana de 13 anos que sofreu violência de um homem de 26 anos. O abusador criou a oportunidade mandando o irmão dela comprar cerveja e, estando sozinho com a vítima, a violentou. Quando começou a chorar desesperadamente, ele parou, temendo ser descoberto.
Os padrões são consistentes: agressores criam oportunidades, exploram laços de confiança e frequentemente tentam desacreditar as vítimas quando descobertas. A Deddica segue investigando estes casos gravíssimos que afligem crianças e adolescentes na região.




